Autor Tópico: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina  (Lida 18935 vezes)

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Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Online: Abril 09, 2008, 03:25:12 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 1° Dia (sábado – 15/03/2008)
Distância percorrida:   968 km
Distância acumulada:    968 km
Trecho: Santos-SP - Jales-SP - São José do Rio Preto-SP
Tempo de viagem: 14 horas

A viagem começou como esperada, dormi tarde, acordei cedo e tive um pouco de insônia nesse meio, mas cheguei ao ponto de encontro (primeiro Frango Assado da Rodovia Bandeirantes, após o Rodoanel) no horário combinado. Após os cumprimentos o Ramon foi abastecer sua motoca e prosseguimos.

Na primeira parada, em São Carlos-SP, após rodarmos 207 km, me senti um pouco cansado devido a estar um pouco "enferrujado" por falta de rodar em estradas, mas na parada seguinte o cansaço já tinha ido embora. Íamos tranquilos, com médias entre 130 e 140 km/h, quando passávamos por Jales-SP, o Ramon nos ultrapassou e pediu para pararmos. Nos informou que a sua motoca estava com problemas de embreagem, que estava difícil de acompanhar nossa "tocada".

Ele fez algumas ligações para a BMW em São Paulo, sem conseguir um parecer conclusivo, seguimos para o centro da cidade para tomarmos um lanche e seguiu-se de outras ligações. Resolvemos retornar para São José do Rio Preto-SP, cidade a 150 km de Jales que tem concessionária BMW e onde moram meu tio Brinquinho e minha tia Mariana. Deixamos as motos na casa deles e fomos de carro até a concessionária, que estava fechada, mas conseguimos os telefones de dois mecânicos. Não conseguimos falar com eles, mas tive informações com um conhecido da minha tia que o processo de troca da embreagem da BMW é bem complicado e demorado, além de não ter a peça em São José do Rio Preto, somente em São Paulo.

Após uma boa conversa ficou decidido que o Ramon retornaria para São Paulo e continuaríamos a viagem apenas eu e o Edgard.

Pegamos uma excelente janta na casa dos meus tios (a última comida de verdade, até retornarmos ao Brasil) e fomos novamente dormir tarde para acordar cedo.
























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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #1 Online: Abril 09, 2008, 03:28:58 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 2° Dia (domingo – 16/03/2008)
Distância percorrida: 1.397 km
Distância acumulada:  2.365 km
Trecho: São José do Rio Preto-SP - Cáceres-MT
Tempo de viagem: 20 horas

Acordei às 03:00 hrs com a intenção de saírmos às 04:00 hrs, após um café da manhã simples pegamos a estrada com a intenção de recuperarmos os km não rodados no dia anterior. O Ramon pegou a estrada sentido São Paulo e seguimos para o noroeste de São Paulo.

Cruzamos a divisa SP-MS com o nascer do sol, passamos rapidamente pelo Mato Grosso do Sul e entramos para Goiás por uma estrada péssima, de barro, cheia de atoleiros, mas as motos se mostram muito valentes e passaram mais este desafio com tranquilidade.

O asfalto que estava perfeito tanto em SP com no MS se tornou péssimo em Goiás, demandando muita atenção e velocidades mais baixas para podermos prosseguir com segurança.

Debaixo de um sol muito forte e um calor insuportável, atravessamos a divisa GO-MT, com asfalto ligeiramente melhor, mais ainda assim muito ruim, não nos permitindo relaxar a atenção, sem falar do elevado número de caminhões, a maioria bi-trens, que lotavam as estradas para aqueles lados.

Tivemos bastante dificuldades com a chegada em Cuiabá-MT, porque está começando a anoitecer, era uma serra bem difícil e a quantidade de veículos e caminhões era bem grande.

Mas deu tudo certo, chegando a Cuiabá, liguei para o amigo tornadeiro Alexholdis, que logo
chegou, comemos um belo lanche e nos guiou até a entrada para Cáceres-MT. Paramos no posto da polícia rodoviária para pedir informações sobre a estrada (não havíamos sido parados nenhuma vez pela polícia) e nos informaram para não prosseguir, que a estrada estava destruída e muito perigosa. Apesar disso, resolvemos continuar e vimos que a estrada não estava tão ruim assim, pouco diferente do que já tínhamos enfrentado no dia todo, apesar disso, peguei uma panela enorme (que entrou a moto inteira) e ganhei um pequeno amassado na roda traseira.

Chegamos em segurança em Cáceres, arrumamos um hotel que o Edgard já conhecia e pedimos uma pizza para forrar o estômago.

Conseguimos o pretendido, rodamos praticamente 1.400 km e compesamos os km não rodados no dia anterior.








































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #2 Online: Abril 09, 2008, 03:30:43 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 3° Dia (segunda-feira – 17/03/2008)
Distância percorrida:   407 km
Distância acumulada:  2.772 km
Trecho: Cáceres-MT - San Ignácio de Velasco-BO
Tempo de viagem: 10 horas

Dormimos até um pouco mais tarde, aproveitamos que tinha computador no hotel e deixamos os amigos com informações sobre a viagem e seguimos para o centro, para carimbar os passaportes na Polícia Federal (autorização para saída do país), aproveitei para sacar dinheiro e colocar gasolina suficiente para chegar à Bolívia (sabíamos que lá era bem mais barato).

A estrada até a fronteira com a Bolívia estava bem destruída, com muitos locais péssimos, onde tínhamos que reduzir bastante e passar com muito cuidado, fomos parados pela polícia de fronteira, onde apresentamos nossos documentos e fomos liberados logo, mas aproveitamos para conversar um pouco, na parte boliviana, fomos parados pelo exército que verificou nossos documentos e liberou em seguida.

Chegando em San Matias-BO, fomos alertados para retirar os capacetes, pois naquela localidade era proibido usá-los devido ao alto números de assassinatos cometidos por pessoas com capacete.

Rapidamente retiramo-os e seguimos para a Imigração, onde carimbaram nossos passaportes e pegamos informações sobre a troca de moedas (cambio). Seguimos para a Aduana que estava fechada, em horário de almoço, como iria demorar muito para abrir, fomos procurar a casa de um funcionário (a cidade é bem pequena) que nos atendeu fora do seu horário de trabalho e demos uma pequena gratificação (R$ 20,00 para as duas motos).

Depois de obtermos o permisso para as motos fomos almoçar em um restaurante com "comida brasileira", mas que não estava aquelas coisas, abastecemos as motos em uma casa (os postos não tinham gasolina devido as estradas precárias por conta das chuvas), depois tivemos que esperar um pouco até a chegada da moça que nos faria o cambio, como a taxa não estava muito boa (R$ 1,00 = 3,70 bolivianos) trocamos apenas R$ 300,00 e prosseguimos viagem, apesar de várias pessoas nos alertarem para não prosseguirmos naquele dia, pois já estava muito tarde (eram 15:00 hrs) e a estrada estava ruim e perigosa.

Continuamos mesmo assim, a estrada era plana mas com muitos buracos, impossibilitando andarmos lado a lado, prosseguimos a uma certa distância para não pegarmos muita poeira, mas sempre consultando se o companheiro estava visível no espelho, atravessamos muitas pontes e fomos parados diversas vezes nos postos de controle do exército boliviano que nos solicitava os documentos da moto e a habilitação, onde faziam as anotações em um caderno simples.

Em dois postos nos pediram "la contribuição", que R$ 2,00 resolveram (segundo informações da polícia brasileira, um soldado na Bolívia ganha o equivalente a R$ 30,00 por mês). Tivemos que abastecer em Las Petas-BO, novamente em uma casa, pois não teríamos combustível suficiente para chegar em San Ignácio.

Com o entardecer, a estrada foi se modificando, com muitas subidas e descidas, e foi muito
difícil ultrapassar os poucos caminhões que circulavam nesta estrada, devido a excesso de poeira.

Ao anoitecer a coisa ficou mais complicada, conforme se aproximava de San Ignácio, tinha muitos trechos em reforma, com passagem em meia pista, mas chegamos bem, logo encontramos um hotel simples (Residencial) e, após um merecido banho, fomos comer algo no restaurante da esquina.

Até aquele momento eu estava praticamente mudo, deixando que o Edgard resolvesse os assuntos que era necessário o uso da língua espanhola, mas enquanto descarregávamos as motos, o recepcionista do hotel não parava de me fazer perguntas sobre a moto que, na medida do possível, eu ia respondendo, até que ele me perguntou não sei o quê, e eu respondia "ahn", ele fazia novamente a pergunta e eu "ahn", isso se repetiu umas 5 vezes até que lhe falei "non compriendo", nesse momento o Edgard já tinha saido de perto para morrer de rir.

A partir desse momento tomei uma atitude de meter as caras e me virar com o idioma castelhano, que foi muito útil e não passei mais apuros neste sentido.






































































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #3 Online: Abril 09, 2008, 03:32:27 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 4° Dia (terça-feira – 18/03/2008)
Distância percorrida:   474 km
Distância acumulada:  3.246 km
San Ignácio de Velasco-BO - Santa Cruz de La Sierra-BO
Tempo de viagem: 9 horas

Acordamos por volta das 09:00 hrs (08:00 hrs na Bolívia, devido ao fuso horário) e fomos procurar um desayuno (café da manhã), quanto mais víamos o povo se alimentando, mas enojado ficávamos, tanto é a falta de higiene, tentamos trocar dinheiro, para ver se a taxa estava melhor que em San Matias, mas estava na mesma e conhecemos o brasileiro Ronildo, ex-fazendeiro de Goiás, que estava se aventurando na Bolívia, e nos deu algumas dicas de alimentação, tomamos um toddy industrializado e retornamos ao hotel para arrumar as bagagens, conhecemos um casal de bolivianos, com seus filhos gêmeos que se divertiram com as motos.

Com algumas informações conseguimos chegar ao Sortidor (posto de gasolina) e, após algumas fotos na saída da cidade, iniciamos mais um trecho de 180 km de estradas de terra. Encontramos um grupo de caminhões brasileiros, que estavam a 8 dias parados porque a chuva tinha levado parte da estrada, quando chegamos a este trecho, estavam acabando de arrumar e só passavam gente a pé, demos um jeito e passamos com as motocas.

Também tivemos bastante dificuldade nas ultrapassagens devido à poeira e, por a estrada ser mais ampla, conseguíamos rodar lado a lado, evitando o pó. Paramos no vilarejo de Carmen de Ruiz onde "almoçamos", que consistiu em um bolo e um pacote de torradas, com um refrigerante local (Mendocina) muito gostoso.

Continuamos no trecho de terra, pegamos um princípio de chuva que logo parou, só servindo para amenizar o calor. O Edgard fez a maior festa na chegada ao asfalto, afinal 500 km de terra, com muitos buracos e valas não é para qualquer um.

Processeguimos, com uma parada em Conception para abastecermos e comer uma Hamburguesa (lanche), o trecho inicial de asfalto era em um tipo de serra, com muitas curvas e sobe e desce, depois veio trechos com muito transito de caminhões e máquinas agrícolas, até que chegamos em Santa Cruz de La Sierra no princípio da noite, com um transito muito caótico e todo mundo "apertando" a gente.

Antes um pouco de Santa Cruz, passamos um perrengue danado, a estrada estava bloqueada devido a uma ponte que só passava um sentido por vez, fomos avançando junto com as outras motos e aguardando a vez para passar, era uma ponte muito comprida (uns 3 km), com trilhos de trem no centro e as laterais de vigas de madeira, com algumas faltando, tinha que ir rápido pois vinha carros atrás, cheguei a dar uma escorregada mas a famosa "patada" funcionou e não cai, continuei até o final e aguardei o Edgard num ponto de moto-taxi, ele não teve tanta sorte, conseguiu atravessar a ponte, mas no final ainda tinha que cruzar os trilhos de trem, nisso escorregou a roda dianteira e ele comprou um terreninho na Bolívia, deu um ralado na mão e bateu o quadril, a moto soltou a bolha e entortou o descansa pé.

Ficamos em um belo hotel, com ar condicionado e até piscina (que não utilizamos) e fomos comer um delicioso Pollo com Papas (Frango com Batatas Fritas) em um fast food próximo. Tentamos achar internet, mas já estava fechando e nos aconselharam a voltar ao hotel, pois Santa Cruz é muito perigosa, principalmente à noite.

No Hotel também tinha computador e aproveitamos para passar notícias atualizadas para a galera.














































































































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #4 Online: Abril 09, 2008, 03:33:52 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 5° Dia (quarta-feira – 19/03/2008)
Distância percorrida:   489 km
Distância acumulada:  3.735 km
Santa Cruz de La Sierra-BO - Cochabamba-BO
Tempo de viagem: 8 horas

Acordamos e fomos dar um trato nas motocas, tivemos que retirar a bolha da motoca do Edgard e improvisar outro parafuso, pois um deles havia quebrado e lubrificamos as correntes. Depois de um belo desayuno, fomos procurar uma casa de cambio e a taxa estava pouca coisa melhor que em San Matias, fomos procurar outra casa, quando fomos abordados por um senhor que nos fez uma taxa excelente (R$1,00 = 4,05 bolivianos).

Aproveitamos para procurar um livro para o Ramon, que nos havia sido indicado por uma pessoa em San Matias, procuramos em várias livrarias sem sucesso, acabamos comprando um mapa atualizado da Bolívia.

Voltamos ao hotel, arrumamos as bagagens e fomos procurar a "carretera nueva" para Cochabamba (nos informaram que a "carretera velha" estava destroçada), apanhamos um pouco para encontrar um posto de gasolina (sortidor) e pegar a estrada nova para Cochabamba.

Esse foi o primeiro erro de navegação, já tinha visto no mapa que para ir a Sucre pegaríamos parte da rodovia para Cochabamba, como só falavam bem da estrada nova, foi por ela que prosseguimos e só na próxima parada para abastecimento que percebi que não havia ligação entre a estrada nova (mais ao norte) com a estrada velha, mas valeu a pena esse erro, Cochabamba é muito bonita e subimos a Cordilheira pela melhor estrada possível na Bolívia.

Percebido o erro, resolvemos prosseguir assim mesmo e procuramos um restaurante, optamos por um na beira da estrada, muito bonito e bem cuidado, mas com comida péssima (achamos até formiga dentro do prato), mal tocamos no prato, só abusamos da Coca-cola. Na cidade anterior, tinham algumas Tornados à venda e me informei dos preços, estavam pedindo U$ 2.300,00 e, pelo jeito, eram "cabritas" vindas do Brasil.

Na parada seguinte tomamos mais uma Paceña, em homenagem ao Roney e nos preparamos para a subida da Cordilheira que estava próxima. Ainda fomos parados pela polícia e nos fizeram algumas perguntas mas nem pediram documentação.

A subida da Cordilheira é algo fantástico, sem explicação, é como subir a Rod. Anchieta, só que não acaba mais, e a vegetação, exuberante no início, vai ficando cada vez mais rara quando se aproximava da parte mais alta. Fiquei fascinado com um lago, nas alturas, os efeitos da altitude já se faziam presentes e a paisagem, com o sol começando a se por, era belíssima.

Tivemos que aguardar um pouco, devido ao resgate de um caminhão que havia se acidentado, também achei muito legal à técnica dos guincheiros para retirar o veículo daquele abismo. Logo que deu uma brechinha, prosseguimos, mesmo sem a estrada estar liberada.

Chegamos em Cochabamba no início da noite, após 110 km de subida da Cordilheira e 30 km de descida até a cidade, o transito estava intenso, mas os motoristas não nos "apertava" como ocorreu em Santa Cruz, após rodar um pouco pela cidade, encontramos um excelente Apart-hotel por 240 bolivianos.

Após um excelente banho, fomos a pé a um centro comercial para jantar um delicioso bife de chorizo, com mandioca frita (mesmo assim a saudade do arroz com feijão era grande). Ficamos maravilhados com a limpeza, organização e segurança de Cochabamba, nem parecia que estávamos na Bolívia.

Ainda aproveitamos o computador do hotel e mandamos notícias para a galera.


















































































































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #5 Online: Abril 09, 2008, 03:35:46 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 6° Dia (quinta-feira – 20/03/2008)
Distância percorrida:   357 km
Distância acumulada:  4.092 km
Cochabamba-BO - Chalapata-BO
Tempo de viagem: 6 horas

Após uma noite muito bem dormida e um excelente café da manhã, arrumamos as coisas para continuarmos à viagem. Conversamos bastante com o gerente do hotel, que tinha uma Falcon e era fascinado por longas viagens. Novamente apanhamos um pouco para encontrar um sortidor e localizar a saída da cidade, mas deu tudo certo e prosseguimos viagem.

Na cidade seguinte estava um grande tumulto, muita gente na rua, mas era devido à procissão da semana santa, a Bolívia é um país extremamente católico e religioso. Chegamos a parar em uma gomeria (borracharia) para tentar desentortar o descansa pé da motoca do Edgard, mas não ficou muito bom e proceguimos assim mesmo.

Começamos a subida da Cordilheira, agora bem mais alta que no dia anterior, e os efeitos da altitude se faziam presentes, eu estava meio grogue e quanto mais subia, mais a temperatura caia, já estávamos a quase 4.000 metros e eu ainda de camiseta e cotoveleira, paramos e coloquei mais uma camiseta de manga comprida. Atingimos "La Cumbre" com quase 4.500 metros.

Um pouco mais adiante, pegamos a estrada para Oruro e começamos a rodar no Altiplano, local muito interessante pois era totalmente plano, a grande altitude com alguns morros a distância. Odiamos Oruro, cidade muito suja e complicada de andar, tivemos muito trabalho para encontrar um local para comer uma hamburguesa. Já aproveitei e fui em uma farmácia comprar remédio para o "Soroche" que me incomodava, o farmacêutico mandou tomar um comprimido por dia, o que não foi suficiente.

Tivemos um pouco de dificuldade para sair de Oruro, pois estava em obras e as placas eram inexistentes, quando já estávamos pegando a rodovia (carretera) para sair da cidade, vi duas motos grandes em um sortidor, no outro lado, entrei lá para saber quem seriam os viajantes. Eram dois argentinos, o Gaspar (de BMW 1200 GS Adventure) e o Gonçalo (de BMW 650 Monster) que estavam vindo do Peru e seguiriam o mesmo trajeto que a gente, como já estavam de saída, seguimos juntos até Chalapata.

Como já estava no final da tarde e ainda seriam 200 km de rípio até Uyuni, resolvemos pernoitar por ali mesmo, após procurar bastante pegamos o pior hotel de toda viagem, se água "caliente" e nem torneira (tinha um barril com água, que deveria ser retirada com um caneco e colocado em uma bacia para lavar o rosto e as mãos). A cidade parecia estar parada no tempo, parecia aquelas cidades dos filmes de velho oeste, com as ruas de terra, vento o tempo todo, com muitos redemoinhos.

Conseguimos fazer ligações para casa, de um posto telefônico, os argentinos tentaram comer algo em um restaurante, mas a comida estava péssima e deixaram quase tudo, tomamos uma cerveja e uma coca-cola em temperatura ambiente, pois não havia "fria". Usamos um pouco de uma internet péssima, que caia o tempo todo, e fomos para o "hotel" tentar dormir. Coisa que não consegui, devido ao "Soroche", deitei de roupa, do jeito que eu estava, pois não seria possível tomar um banho.












































































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #6 Online: Abril 09, 2008, 03:36:59 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 7° Dia (sexta-feira – 21/03/2008)
Distância percorrida:   215 km
Distância acumulada:  4.307 km
Chalapata-BO - Uyuni-BO
Tempo de viagem: 4 horas

Acordamos bem cedo, às 06:00 hrs (05:00 na Bolívia) conforme tínhamos combinado com os argentinos, para saírmos às 07:00 hrs, amarrei as bagagens na motoca e, como nem sinal dos argentinos e ainda estava escuro e muito frio, resolvi voltar para cama e descansar um pouco, já que dormir um não conseguia mesmo.

Por volta das 08:00 hrs ouvimos barulho dos argentinos e levantamos, eles também não tinham conseguido dormir e haviam mudado de idéia, resolveram seguir para Potosi, onde despachariam as motos por transportadora para Buenos Ayres e seguiriam de avião, tinham cansado da aventura.

Fomos juntos tomar o desayuno, que consistiu em algumas bolachas e suco em caixinha e abastecemos as motocas no único sortidor da cidade. Eles seguiram para Potosi e nos pegamos a estrada para Uyuni. Nos primeiros 30 km a estrada era asfaltada, mas logo começou o rípio (areia com pedras roliças) que nos acompanhou até Uyuni.

Pouco antes de chegar a Uyuni, havia uma barreira da polícia, que verificaram nossos documentos e cobraram 2 bolivianos de "contribuição". Assim que chegamos na cidade, fomos procurar um restaurante, mas estava difícil, dava até medo de entrar em alguns, achamos um mais ou menos e entramos, não quiseram nos servir, retirar a placa da calçada e fecharam o restaurante.

Encontramos outro, onde fomos muito bem tratados, a comida não era uma brastemp mas deu para enganar o estômago, em seguida fomos procurar um hotel, encontramos um muito bonito do Albergue Internacional, mas estava lotado, encontramos outro, que não tinha garagem, mas nos autorizaram a colocar as motos no corredor interno, onde as motos ficaram em segurança.

Tive um pouco de dificuldade para achar um quarto que o chuveiro funcionasse decentemente, mas encontrei e tomei um excelente e merecido banho, depois disso comecei a passar mal, com calafrios e calores, fiquei o resto da tarde na cama, debaixo dos cobertores, chegou a noite e nada de conseguir dormir novamente, quando foi umas 03:00 hrs o Edgard foi procurar um táxi para me levar ao hospital, o médico fez uma excelente consulta, me deu remédios (falou para tomar 3 comprimidos por dia, para o Soroche), e mandou fazer 15 minutos de oxigênio.


























































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #7 Online: Abril 09, 2008, 03:38:22 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 8° Dia (sábado – 22/03/2008)
Distância percorrida:   100 km
Distância acumulada:  4.407 km
Uyuni-BO - Salar - Uyuni-BO
Tempo de viagem: 3 horas

Depois do tratamento melhorei um pouco e conseguir dormir um pouco, mas de manhã ainda não estava legal, preferi ficar no hotel e o Edgard foi sozinho para o Salar e visitar o Hotel de Sal, consegui telefonar para a família e utilizar um pouco da internet. Voltei para o hotel e nosso almoço foi bolachas com suco de caixinha.

À noite saímos para jantar e decidimos mudanças nos planos, sairíamos cedo e segueríamos direto para a Argentina, cortando os trechos de Laguna Colorada e do Chile, visto que continuaríamos na altitude e eu não aguentava mais ficar noites sem dormir.





















































































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #8 Online: Abril 09, 2008, 03:39:40 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 9° Dia (domingo – 23/03/2008)
Distância percorrida:   561 km
Distância acumulada:  4.968 km
Uyuni-BO - Maymará-AR
Tempo de viagem: 12 horas

Acordamos por volta das 07:00 hrs e com muita dificuldade arrumei minhas bagagens e amarrei-ás na motoca, tomamos um rápido dasayuno baseado em suco de caixinha e bolachas saímos de Uyuni, não sem apanhar um pouco para sair da cidade e encontrar a carretera para Tupiza.

Continuamos com o rípio e com as belas paisagens, depois de um bom trecho começou a descida da Cordilheira, com paisagens ainda mais belas. Depois de muito rípio e de um jeep quase me acertar em uma curva da cordilheira, chegamos à Tupiza e parecia que eu estava ligado no 220 v, com a grande diferença de altitute (Uyuni = 3.800 metros e Tupiza = 2.600 metros) já começei a ficar bem melhor, desaparecendo totalmente o mal estar dos dias anteriores.

Não encontramos nenhum lugar descente para comer, por isso só abastecemos as motocas e seguimos para Vilazon, foi muito rápido o trecho entre Tupiza e Vilazon, não levamos nem uma hora para percorrer os 90 km que separam as duas cidades, pois estávamos bem melhor e a estrada também, continuava de rípio, mas bem mais firme, possibilitando andarmos lado a lado.

Chegando em Vilazon, abastecemos novamente as motocas, pois a gasolina na Argentina é mais cara que na Bolívia e encontramos um brasileiro de Uruguaiana-RS que estava voltando do Peru, com sua CG 125 FAN, contou-nos um pouco de suas aventuras e fomos com ele atravessar a fronteira, perdemos muito tempo com os trâmites burocráticos.

Conhecemos também um americano, que estava vindo de Ushuaia e adentrando à Bolívia com sua BMW 1150 GS, sem bagagem nenhuma, sobre com dois pneus de reserva. Perguntei sobre as bagagens e ele falou que toda noite lavava suas roupas e usava a mesma no dia seguinte e já tinha dado duas voltas ao mundo de motocicleta.

Depois de tudo pronto e uma revista básica nas nossas bagagens, ainda tive que retornar à pé para a Bolívia, pois era domingo e todas as casas de câmbio na Argentina estavam fechadas. Novamente fiz um excelente câmbio, trocando 2,32 bolivianos por 1,00 peso argentino (correspondeu a R$ 1,00 = 1,74 pesos argentinos), ainda quebrei um galho para o cara da CG 125 fan, pois só pagavam 0,80 centavos de pesos para cada R$ 1,00 e fiz para ele por 1,20 pesos (troquei R$ 100,00 para ele).

Pegamos a estrada para Maimará-AR já no início da noite, começou a esfriar bastante a ainda tínhamos mais de 200 km para percorrer só que agora era asfalto, que variava entre o bom e o razoável, acabamos passando direto pela entrada de Maimára e retornamos quando vimos a placa para Pumamarca, tivemos um pouco de dificuldade para achar a Hosteria do Hector (Hosteria Maimará) e acabamos comendo algumas empanadas de carne em outra hosteria (estava uma delicía, nossa primeira refeição, as 22:00 hrs).

Depois de alimentados foi mais fácil encontrar a Hosteria, a cidade e bem pequena e uma volta mais detalhada resolveu. Tivemos uma excelente recepção por parte do Hector e sua esposa, que faziam de tudo para o nosso bem estar, fomos guardar as motos e uma garagem segura e tomamos um excelente banho com água "mui caliente".






























































































































































































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #9 Online: Abril 09, 2008, 03:42:41 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 10° Dia (segunda-feira – 24/03/2008)
Distância percorrida:   512 km
Distância acumulada:  5.480 km
Maymará-AR - Monte Queimado-AR
Tempo de viagem: 8 horas

Dormi muito bem e acordamos por volta das 08:00 hrs, fomos buscar as motocas e carregamos as bagagens. Tomamos um excelente desayuno, com café expresso com leite e croasant e folhados, uma delícia. Conversamos com outros argentinos que estavam hospedados na hosteria e nos fizeram muitas perguntas sobre nossa viagem.

Após as despedidas e os agradecimentos pela excelente hospitalidade da Hector e sua esposa, pegamos a estrada e tivemos que retornar 10 km para abastecer as motocas, pois em Maimará não existe Estacion de Serviço (posto de gasolina). Abastecemos com a Nafta Fangio (melhor gasolina argentina), pois não havia nem a super nem a comum, ainda conversamos com mais alguns argentinos e nos perguntavam sobre a viagem e tirei algumas fotos da CG 125 2008 Argentina, muito bonita que conta inclusive com uma pequena carenagem (bolha).

Seguimos rumo a San Salvador de Jujuy, passando por alguns trechos em obras (já tínhamos passado em alguns, devido ao erro da noite seguinte), onde era trechos de terra molhada, com caminhão pipa, para não formar poeira. Já tínhamos passado uns 3 trechos assim e, após a descida de uma serra, veio mais um trecho desses, eu reduzi um pouco a velocidade, como nos demais e procurei a parte mais seca, e fui passar como nos demais trechos, a moto escorregou a traseira violentamente para a esquerda e prontamente fiz a correção, virando rapidamente o guidão para a esquerda, em seguida a moto derrapou fortemente para a direita e fiz novamente a correção, vindo a derrapar novamente para a esquerda, situação que não tive como controlar a motoca e caí a uns 80 km/h, o Edgard também escorregou, mas como eu estava na frente, ele me viu escorregando e conseguiu diminuir a velocidade antes de entrar no trecho em obras.

O problema foi que o trecho não era terra e sim argila (saibro) muito escorregadia, eu ralei um pouco as mãos (apesar de estar de luvas e elas não rasgarem), o cotovelo (apesar da jaqueta zebra, que não rasgou) e o joelho direito (apesar da joelheira que ralou bastante e a calça ASW que rasgou um pouco). Machuquei o pé direito (o mesmo da cirurgia que já tem uma placa e alguns parafusos), apesar de estar com as botas Zebra, que partiram as duas e chegou a quebrar os reforços internos (com certeza não me machuquei mais devido aos equipamentos).

Apesar da forte dor no pé, vi que era possível apoiá-lo no chão, e decidi proceguir, também
estava com o peito doendo muito e suspeitei que tinha rachado alguma costela, levei uma forte pancada na cintura, que posteriormente ficou muito roxa.

Os danos na motoca foram mínimos, quebrando-se a bolha e estraçalhando o protetor de punho (orelha de elefante), fora isso quebrou meu descansa pé e alguns ralados no paralama dianteiro, protetor de mão e protetor de escapamento. Seguimos em frente e paramos no próximo posto de gasolina, em Jujuy, à uns 30 km do acidente.

Quero também destacar a excelente solidariedade dos argentinos, me ajudaram a sair da estrada, uma moça me trouxe água, levantaram minha motoca, um deles tinha uma caixa de primeiros socorros no carro e passou mercurio nos meus ferimentos e meu deu uma cartela de anti-inflamatório, bem como só prosseguiram sua viagem quando afirmei que estava bem e dava para prosseguir.

A dor no peito era muito forte e pensei em ficar por alí naquele dia, o Edgard me deu muita força e me convenceu a continuar, prosseguimos no meu rítmo, e era preciso parar a cada 50 ou 70 km para deitar onde desse, pois eu ia segurando a dor até ela ficar insuportável, era só ficar deitado e quieto por uns 5 a 10 minutos que eu já me sentia melhor e dava para prosseguir, cheguei até a colocar o meu cinto no peito, para tentar limitar o movimento das vertebras durante a respiração, mas não fez muito efeito.

Apesar da dor e das limitações ainda conseguimos rodar 500 km nesse dia e o Edgard foi de uma presteza impar, abastecendo minha motoca e lavando a viseira do meu capacete em todas as paradas, enquanto eu descansa e me preparava para o trecho seguinte.

Conseguimos chegar à Monte Queimado e com as motocas abastecidas fomos procurar um hotel, visto que já eram 18:00 hrs e logo começaria a escurecer e eu não estava nada bem. Encontramos um hotel bem simples, mas barato, também não sentimos firmeza em tomar banho lá, mas era quarto com baño privado (banheiro privativo).

Fiquei direto no quarto com o pé levantado e com gelo para desinchar, o Edgard foi ligar para a família e procurar um local com internet, retornou com uma excelente hamburguesa que foi nosso jantar. Dormi muito bem, apesar das dores no corpo todo.





















































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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #10 Online: Abril 09, 2008, 03:52:39 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 11° Dia (terça-feira – 25/03/2008)
Distância percorrida: 1.123 km
Distância acumulada:  6.603 km
Monte Queimado-AR - Foz do Iguaçu-PR
Tempo de viagem: 15 horas

Acordamos bem cedo, por volta das 07:00 hrs e decidimos pegar logo a estrada para fazer o "dia render" e deixamos o desayuno para mais a frente. Estava decidido a rodar naquele dia pelo menos 800 km e tentar percorrer no mínimo 100 km antes de parar para descansar. Foi uma excelente surpresa perceber que o peito já não doia tanto, dando para pilotar numa boa (somente com o pé incomodando bastante) e chegamos a rodar 200 km sem necessidade de parada, passamos por Pampa del Inferno e fomos tentar abastecer na cidade seguinte, mas não havia combustível, aproveitei para um excelente desayuno (come-se muito bem na Argentina, ao contrário da Bolívia).

Não havia outra alternativa e seguimos para Roque Sanz Pena, a um rítmo bem mais lento, por volta de 80 km/h para fazer nosso restinho de gasolina render. Ainda passamos por algumas barreiras de agricultores, mas nos deixavam passar com tranquilidade, até indicando o melhor caminho entre os vários caminhões e máquinas agrícolas que "travavam" a estrada.

Tive "pane seca" com 280 km rodados, quase chegando a Roque Sanz Pena, ainda consegui dar uma chacoalhada na motoca e andar mais um pouco até uma sombra, o Edgard ainda tinha um pouco de combustível e conseguiu chegar até a cidade, conseguiu informação de uma pessoa que vendia nafta (gasolina) em casa, por 5,00 pesos, abasteceu 2 litros e trouxe 2 litros para mim, retornamos para esse "posto residencial" e colocamos mais 4 litros e cada motoca e tivemos informações que na próxima cidade haveria combustível. Ainda passamos em uma oficina de motos (taler) para colocar um parafuso do meu protetor de mão que havia se quebrado e aproveitamos para regular a corrente da motoca do Edgard que estava frouxa, aproveitando para lubrificar ambas.

Ao contrário das demais barreiras, em Roque Sanz Pena, tinha vários agricultores com pedaços de paus na mão e não nos autorizaram a passar, falaram que tinha um desvio de terra a alguns km atrás, retornamos e vi uma estradinha ao lado de uma fazenda, segui por lá e, quando estava passando ao lado do bloqueio, a uns 50 metros de distância, começaram a gritar alguma coisa, mas não quiz nem saber, continuei e passei assim mesmo, o Edgard ficou um pouco para trás, mas acabou passando pelo mesmo caminho que eu.

Conseguimos combustível na próxima cidade (Quitilipi), estava uma fila enorme mas motos tinham a preferência nos abastecimentos, aproveitei para comer um excelente lanche de bife a milanesa que foi mais do que um almoço, também encontramos uma dupla de caminhoneiros brasileiros, que estavam retidos do protesto dos agricultores.

Continuamos em frente só paramos em Corrientes, após sofrer bastante com o trecho de cidade, devido ao meu piloto automático by ChrisR e ao calor que estava demais. Ainda bem que praticamente todos os postos de gasolina na Argentina dispõe de loja de conveniência com ar-condicionado, fiquei por lá me hidratando e descansando enquanto o Edgard se encarregava de abastecer as motocas e levar as viseiras.

Nossa próxima parada foi em Ituzaigo, num posto BR que fica dentro da cidade, só colocamos 10 pesos de combustível em cada motoca pois não aceitavam tarjeta (cartão de crédito) e ainda dividimos um lanche. Seguimos para Pozadas, onde abastecemos em um posto Shell e nos informaram o caminho errado, já estávamos indo rumo ao Paraguai quando perguntamos a um motorista de uma S-10 que fez questão de parar e nos explicar exatamente como pegar a estrada sentido Brasil.

A explicação foi perfeita e saimos de Pozadas com o finalzinho de tarde, na próxima cidade saiu a corrente da motoca do Edgard, que rapidamente foi reposta e regulada (já estavamos craques em retirar e colocar as bagagens).

Continuamos noite adentro, próximo da divisa com o Brasil paramos para abastecer e nos livrar dos últimos pesos argentinos (só restando algumas moedas), em seguida fomos parados em uma barreira policial e só nos pediram a carta verde (nem olharam direito, era só para confirmar se a tínhamos). Pegamos o trevo errado em Porto Iguazu (não existe placa), mas logo retornamos e passamos a Aduana sem nenhuma dificuldade (exceto pelo fato da energia cair a todo momento), chegando ao Brasil foi uma felicidade só, voltarmos a falar nossa língua, nossa moeda, é muito bom viajar, mas é excente estar de volta.

Chegamos à Foz do Iguaçu por volta das 22:30 hrs, fomos comer um excelente X-Tudo e acabamos ficando hospedados em um Hotel bem simples, que eu já conhecia, mas com ar-condicionado e banheiro privativo.


































Offline nelsonbad32

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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #11 Online: Abril 09, 2008, 03:54:42 am »

Brasil, Bolívia e Argentina - 12° Dia (quarta-feira – 26/03/2008)
Distância percorrida: 1.197 km
Distância acumulada:  7.800 km
Foz do Iguaçu-PR - Santos-SP
Tempo de viagem: 17 horas

Dormi muito bem e, ao acordar o Edgard fez algumas ligações, em conversa com um amigo, resolveu ir ao Paraguai para comprar um GPS, tentou me convencer a ir também, mas preferi ficar no hotel e copiar o conteúdo das câmeras, uma para a outra, do período após a visita do Salar, que já estava gravada em DVD.

Tomei um bom café da manhã, simples mas gostoso, inclusive com frutas. O Edgard pegou um moto-taxi e acabou não comprando o GPS, pois não aceitaram o pagamento com cartão de crédito, visto que ele só tinha parte do pagamento em dolares.

Ele chegou por volta das 10:00 hrs, arrumamos rapidamente nossas bagagens e pegamos a estrada. Eu havia notado que aparentemente a corrente da motoca do Edgard estava frouxa, mas achei que era a "falta de carga". Com apenas uns 100 km rodados a corrente voltou a escapar. Paramos e rapidamente a corrente foi reposta e regulada, aproveitamos para lubrificá-las.

Continuamos e paramos em Corbélia-PR para almoçar, pegamos um excelente rodízio e comemos de verdade (coisa que não fazíamos a vários dias). Em seguida, dá-lhe chiclete de canela para espantar o sono (dica do amigo Ramon), continuamos numa boa tocada, com muitas paradas nos pedágios e algumas para nos hidratar, pois o calor era grande.

Quando passávamos por Londrina-PR a corrente da motoca do Edgard deu uma patinada, na saída de um semáforo e deu para ver que estava bem folgada novamente. Pedimos informações para um motoboy e seguimos para o centro, para procurar uma concessionária Yamaha, na primeira que achamos era apenas para venda de motos, sem oficina, mas nos indicaram com precisão uma concessionária maior.

Fomos bem atendidos, eles tinham o kit original (mais de R$ 1.000,00) e o "paralelo" por R$
290,00 (riffel + corrente DID) mas informaram que não dava para trocar naquele dia, pois tinham que retirar a balança (corrente selada).

O chefe da oficina regulou a corrente e a lubrificou e disse que podíamos seguir viagem. Pedi
para ele dar uma olhada no pinhão, ele apenas agachou e olhou paralelo à corrente, pedi para tirar a tampinha e olhar melhor o pinhão. Ele fez isso e constatou que o pinhão estava
completamente banguelo (a moto estava com 20.000 km rodados).

Ele conversou com o gerente que autorizou a tirar o pinhão do kit e fazer a substituição.
Rapidamente o pinhão foi trocado, cobrado um preço justo (R$ 51,00 com mão de obra incluída) e pudemos continuar nossa viagem.

A noite começou a chegar e aumentava o movimento das estradas, ainda paramos em Cambará-PR para abastecer e comer um lanche. Logo chegamos a Ourinhos e mais um pouco já estávamos na Rod. Castelo Branco. Paramos no Posto Rodoserv para tomar um café e ligamos para os familiares, informando que demoraríamos mais um pouco mas ainda chegaríamos naquele dia.

Próximo de Itu-SP, paramos para o Edgard abastecer a moto e notamos que a corrente estava novamente folgada, ele não quis mais mexer em bagagens e seguimos até o próximos posto para um borracheiro fazer a regulagem, também notamos que ele tinha perdido uma das borrachas do escapamento.

Cheguei bem em casa, às 01:30 hrs e o Edgard chegou em Santos por volta das 03:00 hrs, seguindo com muito cuidado para que a corrente não voltasse a dar problema.












































Offline Rad

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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #12 Online: Abril 09, 2008, 04:46:54 am »
Fala Nelsonbad,, trocou a tornado e nem sabia heeh

que viagem hein,, e o pé já está legal  :|

quando fala em soroche hehehe nunca esqueço o que passei,, estar em cuzco e não consegir chegar em  machu pichu  :oops:,, tem gente q sofre mais  :oops:

muito legal seu relato, maravilha, fotos lindas, e seu colega tá de parabéns,, com esse pode dar um rolé pelo mundo, a melhro coisa do mundo é achar um companheiro de ponta, para umas aventuras dessas,,,

Vou pedir pra Ireninha ler este post de vcs  hehehe,, eu conto pra ela da pobreza e da sujeira e falta de higiene,, que se estende até uma parte do Perú,,, só quem vivenciou que sabe...   :(

parabéns amigão, aventura pra contar pros netinhos heehehe

Offline chinaf

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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #13 Online: Abril 09, 2008, 06:15:25 am »
Cara muito bacana essa sua viagem, parabéns mesmo .clap.

Acompanhei "on-line" os post's do Ed na comunidade do orkut. :thumleft:

O Dr. Ramon é uma cara viajado a moto dele também, vi a primeira vez um post dele, lá no mochileiros.com :D

Tinha acabado de voltar do Alaska :shock:, troquei umas figurinhas com ele. :thumleft:

Cara muito bacana. ,10468

Sobre o peão ficar "banguela" na XT66 é comum :thumleft:, não se preocupe com o equipamento :nao, me parece que toda viagem que o pessoal faz com ela pela América do Sul, dá nisso. :salut:

E realmente trocar a relação dela com kit sem emenda é muito trabalhoso, tem que soltar completamente a balança, sei disso pq a Fazer também dá o mesmo pepino.

Enfim cara muito bacana seu relato, parabéns novamente.

Sobre o soroche, realmente dá uma preocupação danada, ainda vou enfrentar esse mal para ver como vai ser comigo, dizem que o melhor remédio é o tal "chazinho de Coca" ou mastigar a folha pura mesmo, quem fala isso é o ltadeu lá do m@d.

Espero que o dia que for, não precisar, no meu caso, eu tenho algumas crises de enxaqueca que são horríveis e não tem jeito, é ir para o PS e tomar soro na veia com medicação, uma porcaria. hum., imagino que na altitude talvez venha sofrer com isso.

Cara, belíssima viagem e novamente parabéns.
No momento não estou participando do fórum, por favor não enviem MPs para mim, não poderei responder, sorry.

Offline nelsonbad32

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Re: Nelsonbad e The Ed - 12 dias - 7.800 km - Bolívia e Argentina
« Resposta #14 Online: Abril 09, 2008, 06:27:16 am »

Beleza Rad.

Comprei a 660 principalmente por causa da viagem, já era um sonho antigo e apareceu a oportunidade. Só consegui vender a Tornado na última semana, senão ia ter que emprestar dinheiro para poder viajar.

O pé já está 90%, espero que a partir de segunda-feira já consiga andar sem mancar.

Realmente o Soroche se manifesta diferentemente para cada pessoa, o Edgard também sofreu um pouco, mas não deixava de fazer as coisas por isso, eu fiquei baqueado mesmo.

Abraço.