Autor Tópico: Estatísticas do motociclismo para 2008  (Lida 1656 vezes)

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Offline MauLL 74

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Estatísticas do motociclismo para 2008
« Online: Janeiro 14, 2008, 01:34:24 am »
 :pirat:

Estatísticas do motociclismo para 2008
14 de Janeiro de 2008 
 
Elthon Charles Correa

Andei pesquisando sobre acidentes envolvendo motociclistas e encontrei diversos estudos realizados, em sua maioria, nas universidades brasileiras. Ao final da investida, três trabalhos em especial me chamaram a atenção: as pesquisas feitas pela equipe da Epidemiologia da UnB, encabeçadas por Luciano Farage, as desenvolvidas por Maria Sumie Koizumi, da Escola de Enfermagem da USP, e as de Eurico Roberto Willemann, da UFSC.

Vou tentar condensar e resumir o que li nesses trabalhos. Segundo dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicleta) e Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a frota brasileira de motocicletas ultrapassou a casa de 11 milhões de unidades ao final de 2007.

Os registros oficiais de acidentes de trânsito mostram que, desde o ano de 2000, cerca de 9% das motos em circulação envolvem-se anualmente em algum tipo de acidente e que cerca de 2% envolvem-se em acidentes com vítimas — entende-se aqui por vítimas aqueles casos fatais ou os que requerem internação em estabelecimento hospitalar por, no mínimo, 24 horas; tanto do piloto quanto de garupa ou de terceiros.

Os dados mostram também que, anualmente, ocorre um caso de morte por acidente motociclístico para cada 600 motos em circulação. Fazendo umas contas rápidas, chego à conclusão de que neste ano teremos nada mais, nada menos do que cerca de 1 milhão de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas no Brasil, os quais causarão cerca de 214.000 internações e cerca de 18.000 óbitos.

Com base nos pesquisadores citados, o perfil histórico desses acidentados é o seguinte:

- 87% são do sexo masculino;
- 86% estão situados abaixo dos 40 anos de idade, sendo que 63% têm entre 18 e 24 anos e 4% estão abaixo dos 18 anos;
- 16% são garupas.

Quanto às motos envolvidas nos acidentes:

- 85% são de até 125cc;
- 11% são de 125cc a 200cc;
- 4% são acima de 200cc;
- 53% têm até 3 anos de uso;
- 47% têm acima de 3 anos de uso.

Ainda com base nos dados apresentados, as circunstâncias dos acidentes serão as seguintes:

- 24% dos acidentados estarão alcoolizados;
- 77% dos acidentes ocorrerão durante o dia, sem chuva;
- 28% dos acidentados não estarão usando capacete.

Como já foi dito, esses acidentes provocarão mais de 214 mil internações e mais de 18 mil óbitos, sendo que cerca de oito mil dessas mortes serão instantâneas, outras sete mil ocorrerão dentro das 24 horas seguintes ao acidente e o restante, em até 72 horas após o acidente.

A maioria dessas mortes, cerca de 95%, terá como causa o trauma encéfalo-craneano. (TEC*): *Andreoli et al (1990, p. 693) relata que as forças de aceleração-desaceleração recebidas no momento do impacto causam a maior parte das lesões cerebrais produzidas no traumatismo crânio-encefálico fechado.

Quando, por exemplo, devido à aceleração anterógrada, a cabeça se choca no painel imóvel do carro em alta velocidade, a inércia leva o cérebro gelatinoso para frente, lesando as estruturas tanto sobre o ponto da lesão quanto do pólo oposto, a 180 graus de distância (contra-golpe).

Nestas circunstâncias, a presença ou ausência de uma fratura é relativamente irrelevante; o que conta contra o paciente é o grau com que as forças implosivas-explosivas produziram a lesão capilar e neuronal no cérebro (lesão de pequenos vasos e nervos), resultante dos intensos movimentos rotacionais no momento do traumatismo, e quanto da substância branca sofreu cisalhamento.

As internações terão como causas as seguintes lesões, decorrentes dos acidentes motociclísticos:

- Membros inferiores e pelve: 30,00%;
- Cabeça: 21,50%;
- Membros superiores: 12,00%;
- Face: 10,70%;
- Abdômen: 4,50%;
- Tórax: 2,00%;
- Coluna e pescoço: 1,50%;
- Outras lesões: 17,80%.

No entanto, cerca de 40% das vítimas desses acidentes motociclísticos apresentarão um quadro de múltiplas lesões (cabeça, membros, coluna, etc). E o interessante é que cerca de 46% das pessoas que tiveram lesões na cabeça "estariam usando capacetes".

Um pouco mais acima, relato que cerca de 28% das vítimas de acidentes com moto não estarão usando capacete, aproximadamente umas 60.000 pessoas. Logo, teremos umas 160.000 pessoas acidentadas usando capacete.

Ao analisarem as estatísticas de motociclistas mortos (TEC) com e sem capacete, os pesquisadores notaram um dado interessante: as diferenças entre o número de mortos é inferior a 1%, o que me leva a concluir que:

1º - dependendo do impacto, da violência do choque, o uso ou não do capacete não faz diferença;

2º - em 2008 irão morrer vitimadas por TEC, instantaneamente ou nas 72 horas que se seguirem ao acidente, cerca de 8.400 motociclistas sem capacete e 8.000 motociclistas com capacete;

3º - considerando que o número de pessoas que se envolve em acidentes estando de capacete é muito superior ao dos que não o usavam, concluo que usar o capacete é quase 300% mais seguro que não o usar.

Outro fato interessante observado nas pesquisas estudadas foi a comprovação de que a ocorrência de trauma facial (principalmente fraturas nas mandíbulas, destruição de tecidos moles e perda de dentes) é cerca de dez vezes maior quando se sofre um acidente motociclístico sem capacete ou usando-o inadequadamente.

Outro detalhe igualmente curioso é que, entre os motoboys, a ocorrência de trauma facial em acidentes é de cerca de 50%, o que denota o não uso ou o uso inadequado do capacete.

Voltando até o item 1 logo acima, ironicamente concluo que, se falecer em um acidente de moto por conseqüência de TEC, usando capacete pelo menos o meu rosto estará preservado para fazer “boa figura no caixão”.

Mas chega de falar de mortes e de mortos; vou falar agora dos sobreviventes. Depois de um período de internação que poderá variar, segundo as estatísticas de seis a 118 dias, o sobrevivente de um acidente motociclístico terá pela frente um período de recuperação que irá variar de um a seis meses, podendo, no entanto, chegar a ultrapassar os 18 meses nos casos mais graves.

Em muitos casos, no entanto, a recuperação não é total: em 16% dos casos as vítimas de acidentes de moto guardam seqüelas que as tornam inválidas temporariamente, sendo afastadas da vida laborial por um período que, em média, dura seis meses. E 5% dessas vítimas tornam-se inválidas permanentes.

Sendo assim, além dos 18 mil mortos em acidentes motociclísticos previstos para 2008, teremos ainda cerca de 36 mil pessoas que se verão incapacitadas de trabalhar por um bom período e outras 11 mil que nunca mais poderão andar.

Se considerarmos que 67% dos envolvidos em acidentes de moto ainda não atingiram os 24 anos de idade, no ano de 2008 veremos, com muita tristeza, cerca de 7.000 jovens condenados a passar os próximos 10, 20, 40 anos presos a uma cama ou a uma cadeira de rodas.

Caríssimos, perdoem-me por nesse início de ano expô-los à crueza das estatísticas. Mas assim o fiz porque os estimo muito! Um abraço a todos e lembrem-se: basta a menor distração, o menor descuido, para nos tornarmos parte dessas trágicas estatísticas.

O “motonauta” Elthon Charles Correa participou do Moto Repórter, canal de jornalismo participativo do MOTO.com.br.
 
Fonte:
Moto Repórter

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« Última modificação: Janeiro 14, 2008, 01:44:50 am por Maull74 »



Offline Diego Paz

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #1 Online: Janeiro 14, 2008, 02:31:32 am »
Vale a pena ler de novo. Acima das 125cc já saímos bastante das estatísticas. E sempre usar capacete!!!!

Abs

Offline Cabral

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #2 Online: Janeiro 14, 2008, 05:27:03 pm »

Offline Rad

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #3 Online: Janeiro 14, 2008, 10:11:39 pm »
pois é Cabral,,

Esse texto é do Russo no M@D, bem no inicio do ano.

Maull, num tem nada haver contigo,, vc pesquisou  achou ele e trouxe para cá partilhando esse assunto e ainda colocou o nome do Elton,, fez certinho. .clap .clap .clap

O problema é só que o texto não é desse Elton e sim do Russo  :thumleft:, postado no M@D como o Cabral falou.

Isso não impede de comentarmos sobre o texto em si, que tem bases reais, e se a coisa andar assim, pode ficar mais feio ainda.

Offline Carlos Gomes

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #4 Online: Janeiro 15, 2008, 01:23:12 am »
Estatística cavernosa, mas tem motivo não é?
Aqui em São Gonçalo – RJ a maioria anda sem capacete e com chinelas de dedos, num tombo qualquer arrebenta os dedinho e numa mais forte a fuça também.

A maioria das batidas nas cidades é leve com algumas raladas e hematomas e muitas nem sequer viram caso de policia, não vão para estatística.

O vilão é a 125cc porque é uma frota absurdamente maior do que todas as outras cilindradas. Relativamente, nós de Falcon, estamos no mesmo barco.
São Gonçalo - RJ
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Offline Cabral

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #5 Online: Janeiro 15, 2008, 04:20:47 am »
pois é Cabral,,

Esse texto é do Russo no M@D, bem no inicio do ano.

Maull, num tem nada haver contigo,, vc pesquisou  achou ele e trouxe para cá partilhando esse assunto e ainda colocou o nome do Elton,, fez certinho. .clap .clap .clap

O problema é só que o texto não é desse Elton e sim do Russo  :thumleft:, postado no M@D como o Cabral falou.

Isso não impede de comentarmos sobre o texto em si, que tem bases reais, e se a coisa andar assim, pode ficar mais feio ainda.

Isso ai Rad, agora relendo é que ví que ficou estranho.  :thumleft: :thumleft:
Maull fica ai o que o Rad disse, nada contra o que voce postou, que é para divulgar o texto mesmo, é só uma questão de creditos corretos ao Russo.

Offline JONN

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #6 Online: Janeiro 15, 2008, 02:02:40 pm »
O vilão é a 125cc porque é uma frota absurdamente maior do que todas as outras cilindradas. Relativamente, nós de Falcon, estamos no mesmo barco.

Carlos, acredito que isso se deve ao fato de as 125 serem muito mais numerosas que as de maior cilindradas, tipo 50 por 1 ou até mais, mas cuidado é bom sempre em todas as categorias.


Obrigado Deus, por tudo de bom.

Offline Konishi

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #7 Online: Janeiro 15, 2008, 04:25:16 pm »
Faltou uma estatistica importante:  Muitos acidentes acontecem nos primeiros 15 minutos depois que se sai com a moto, e nos ultimos 15 minutos na chegada. No inicio porque nem o piloto nem a maquina estao aquecidos o suficiente, e na chegada porque a gente tende a relaxar...

É Rad, a situacao tende mesmo a piorar, haja visto os progressivos aumentos nas vendas de motos e a ausencia do governo no planejamento e melhoramento das vias de circulacao urbana e rodoviaria. faltam politicas de transporte publico tambem. O que nao faltam sao leis absurdas.

Mas uma vez motociclista, sempre motociclista. Que Deus nos guie e que facamos nossas motos visiveis e audiveis nesse transito maluco !

abracos, Konishi.
Paz e amor Bixo ! E moto na estrada !

Offline MauLL 74

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #8 Online: Janeiro 16, 2008, 01:33:29 am »
pois é Cabral,,

Esse texto é do Russo no M@D, bem no inicio do ano.

Maull, num tem nada haver contigo,, vc pesquisou  achou ele e trouxe para cá partilhando esse assunto e ainda colocou o nome do Elton,, fez certinho. .clap .clap .clap

O problema é só que o texto não é desse Elton e sim do Russo  :thumleft:, postado no M@D como o Cabral falou.

Isso não impede de comentarmos sobre o texto em si, que tem bases reais, e se a coisa andar assim, pode ficar mais feio ainda.


Valeu Rad, acho que é por ai mesmo, os créditos devem ser do autor (Russo no M@D). Muito me admira é a página da qual obtive o texto não checar tal informação.

Concordo plenamente com o Konishi, quando mencionou ter faltado "uma estatistica importante:  Muitos acidentes acontecem nos primeiros 15 minutos depois que se sai com a moto, e nos ultimos 15 minutos na chegada. No inicio porque nem o piloto nem a maquina estao aquecidos o suficiente, e na chegada porque a gente tende a relaxar..."

Abs.

Mauricio.
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Offline Diego Paz

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Re: Estatísticas do motociclismo para 2008
« Resposta #9 Online: Janeiro 16, 2008, 01:40:39 am »
Eu li e reli este tópico, mas percebi que muito das estatísticas está no perfil do motociclista e também da moto. As 125 tem sistema de freios ruim, e quem às usa sempre quer chegar ao extremo da velocidade. As Hondas Biz, Burgman e as scooters, com os pneus pequenos e grossos, são um crime numa cidade cheia de buracos e faixas de pedestres. As motos utilizadas para entregas precisam estar constantemente num velocidade alta para suprir a paranóia das grandes cidades, o que aumentam consideravelmente os riscos de acidente fatal. Fora que o poder aquisitivo é mais baixo, o que me leva a crer que os equipamentos de proteção são de baixa qualidade, pricipalmente dos capacetes! Neles está nossa vida, por isso devem ser bons mesmo, e infelizmente caros (importados)..

Fique claro que é MINHA opinião, um adendo ao texto do Russo.


Abraços

Diego