Autor Tópico: Expedição La Mano - Argentina e Chile - Relatos  (Lida 25298 vezes)

0 Membros e 1 Visitante estão vendo este tópico.

Offline Patrick

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 3.014
  • Sexo: Masculino
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #15 Online: Maio 18, 2015, 09:14:35 am »
Por acaso o hotel com a porta do elevador com aquela grade de abrir e fechar seria o Hotel San Martin? Se era, também ficamos lá em março/15, onde encontramos um grupo de Minas Gerais.
Pelo jeito todos os brasileiros ficam neste hotel.... kkkkk;

BINGO!!

Esse mesmo... uauauau.
Engraçado também é na recepção a caixa de disjuntores. Se não quiser ar condicionado, eles desligam o disjuntor. Impossível, aquela cidade é quente demais... hehehehe
Viaje Conosco em: www.insetonocapacete.com

Offline Patrick

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 3.014
  • Sexo: Masculino
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #16 Online: Maio 18, 2015, 12:33:44 pm »
Dia 03 - Corrientes x Salta - 822 kms
Olá galera, vamos para mais um dia de relato de viagem. Tem muita coisa pra contar ainda... Está só começando.
Corrientes é uma cidade bastante quente, acordamos antes das 07:00 e a temperatura já estava na casa dos 30º. Já tinha muita gente no saguão do hotel esperando o café da manhã. O grupo de Toledo estava lá, e já era o bastante para encher o salão do café. Fizemos nosso "desayuno", que diga-se de passagem, lá naquele hotel era bem bom. Não tinha apenas media Lunas. Tinha pão, queijo, presunto, frutas, iogurtes, etc.
Partimos por volta das 07:30, seria um dia desafiador, por vários aspectos. O primeiro era passar pela famosa ponte que liga Corrientes a Resistencia sem ter que pagar nenhuma propina. Aquele local é muito conhecido pelos motociclistas, pois na avenida que liga à ponte, há uma pista expressa e a marginal. Os policiais cuidam os motociclistas desavisados que trafegam pela via expressa e abordam quando acessam a ponte. Não sei até que ponto realmente é proibido, só sei que lá a prática é comum de extorsão de dinheiro em troca de não multar as motos. Isto estava me preocupando bastante, não acho justo esse tipo de ação.
Mas vamos lá, vi na comunidade Viagem de Moto América do Sul, um mapa com um esquema para despistar os camineros. O esquema consiste em, antes de chegar na ponte, rumar para a Avenida General Costanera, que vai pela margem do Rio Paraná, por ela, se tem um acesso para a ponte onde se passa por trás do posto policial. E assim fizemos, saímos do hotel pela Avenida Santa fé, pegamos a General Costanera e, quando se está praticamente embaixo da ponte, há um semáforo, nele é só virar a esquerda e pegar uma alça que dá acesso para a ponte, passando por trás do posto de controle. Eu fiz um vídeo, mas preciso editar, pois passei falando algumas palavras de baixo calão que não devem ser ouvidos. Era o meu grito de vitória. Prometo editar o vídeo e postar para vocês. Acho que pode ajudar muita gente.
Pegamos a ponte General Belgrano, que liga as cidades de Corrientes a Resistencia, uma ponte imponente, me parece bastante antiga também. E que passa por cima do grande Rio Paraná. Não sei dizer quantos metros tem de vão, mas é grande. Isso pode ter certeza.
Em Resistencia, a Ruta 16 é duplicada, por um longo trecho. E tem também várias obras no seu percurso. Muitos desvios confusos, trevos não sinalizados, etc. Num deles até ouvi umas buzinadas atrás de nós. Não sei ao certo o que aconteceu.
O calor prometia, já passava dos 30º e não eram nem 9 da manhã. Paramos Presidencia Roque Saenz Peña. Presidencia é uma cidade grande, muita gente que conheço quando vai para aquela região opta por dormir lá. Tem boas opções por lá. A entrada da cidade está cheia de obras, encontramos um posto YPF do lado esquerdo da rodovia, fomos lá aos trancos e barrancos, havia grandes filas. Um menino estava hipnotizado pela moto. Engraçado, ele nem sabia falar direito, mas não tirava os olhos da moto. O Pai dele o trouxe para perto das motos e eu convidei ele a colocar o filho sobre a nossa moto. O menino era só alegria.
Em seguida, já estávamos na famosa e temida Pampa Del Infierno, não sei a razão deste nome, mas, posso afirmar que faz jus a ele. Pois é muito quente naquele lugar. Ali começavam os intervalos de trechos com asfalto muito bom, trechos de obras e trechos praticamente intrafegáveis. Aquele lugar é uma aventura a parte.
Quero fazer um parenteses aqui, antes de entrar na parte da Pampa. Muita gente disse para não irmos por lá, alertando dos problemas com estradas, calor, policia, etc. Mas sabe aquela história que fica o diabinho no lado do ouvido dizendo que você tem que ir lá? Pra ver como é, pra saber como é e pra contar depois como foi? Pois é, o diabinho falou mais alto. E falo para vocês, apesar de ser um trecho com poucas paisagens interessantes, muito calor e péssimo asfalto, foi muito divertido. Vocês verão.
Na parada em Pampa De Los Guanacos, uma coisa inusitada. Víamos várias carroças chegando no posto para abastecer. Curioso não? Eram trabalhadores da comunidade Menonita da cidade. Eles não usam carros, energia elétrica e não tem muito contato com pessoas que não são pertencentes à comunidade. Eles vinham com suas carroças encher alguns galões para usarem nas máquinas agrícolas. Pelo caminho, vimos vários homens trabalhando, todos vestindo aquelas jardineiras, camisas sociais e grandes chapéus de palha.
O trecho se torna monótono, pois são grandes retas sem fim, sem acostamento e sem nada para ver. Mas como a gente faz o lugar ficar divertido, num trecho haviam aberto o acostamento, estava só na terra, ali eu vi diversão. Saí do asfalto e rumei pra terra, levantei uma poeira só. O Gilmar vinha logo atrás e levou um susto, achou que tínhamos caído ou coisa assim. Depois o Alencar também topou participar da brincadeira. Sem contar a infinidade de insetos. Enxames de borboletas pra todo o lado, acho que atropelei umas 700. Sem contar no pombo que se desintegrou no protetor de mão. Foi um monte de penas pro ar, coitado do bichinho.


Como o calor era muito forte (máxima de 41º), não conseguia deixar minha viseira fechada. Graças ao defletor que coloquei, isso era possível sem criar muita turbulência. E para esta viagem, comprei um óculos de proteção. Aquele de operário. Porém, nem mesmo o óculos foi capaz de parar um mosquito kamikaze que acertou o meu óculos e não sei como, entrou no meu olho pela parte de cima do óculos. Meu olho ficou muito irritado, tentei limpar e amenizou, porém, não ficou 100%. Fui um tempo com um olho fechado e com velocidade reduzida, até a ardência diminuir.


A nossa próxima parada foi em Taco Pozo, Estava ventando muito, e até que encontramos um posto bastante bom para aquela região. Estava ventando muito, levantava muita terra, tava bem difícil. Estava muito quente também. Lá repus a água da mochila de hidratação e comi umas guloseimas. Neste local, dois homens vieram conversar conosco. Perguntaram se éramos do Dakar, foi a primeira de muitas vezes que perguntaram isso pra gente. Imagina! Eles nos contaram uma história da equipe russa que participou do rally, e que encontrou numa estrada, o fantasma de "La Llorona", uma história de um fantasma de branco que vaga pela região de Salta. Segundo eles, a equipe ficou tão assustada com o ocorrido, que desistiram do Rally e voltaram pra casa. Confere aí o video da suposta chorona.
https://youtu.be/AWImG2UJF10

Estávamos quase no final da Pampa, paramos em Joaquin V. González. Uma confusão no YPF, várias motos, carros na fila para abastecer. Mas, acho que os argentinos colocam pouca gasolina, porque em menos de 5 min já estavam abastecendo as nossas motos.
Lá, 4 meninos nos pediram dinheiro pra comprar uma "Gaseosa" (Refrigerante). E um deles pediu para a Sara pra comprar biscoito. Eu não quis dar dinheiro para eles. Então, entrei na conveniência, e pelo vidro, eles escolheram o que queriam e eu comprei. Tentei guardar os nomes dos meninos na memória, mas não consegui. Mas lembro que falamos de futebol, e no fim, eles disseram que o Neymar é o melhor do mundo. E não o Messi. Mas uma coisa que argentino não admite é que o Pelé é o melhor de todos os tempos. Para eles, Maradona impera.

 Fila pra Nafta

Nossos amigos Argentinos
Depois dessa parada, a paisagem começa a mudar. As longas planícies começam a se transformar em grandes montanhas verdes. Nesta parte do dia, eu tava ficando nervoso, pois eu olhava para a minha direita e tinha muitas nuvens carregadas já despejando chuva pesada e raios para todos os lados. Era um olho nas nuvens e outro no GPS para ver pra que lado íamos. Logo depois, acaba a RUTA 16 e viramos a direita na RUTA 34, e o temporal na nossa direita. Fomos contornando aquele mal tempo todo, graças a Deus.
Depois da RUTA 34, pegamos a esquerda na RUTA 9 que dá acesso a Salta. É uma pista dupla muito boa com limite de velocidade de 110 Km/h. Seguimos por ela, subindo um pouco e vendo as placas indicando Salta, Santo Antonio de Los Cobres e o famoso Paso Sico. Os dois últimos ficam pra próxima.

Ruta 34
Chegamos em Salta, La Linda!!! Subimos um pouco e demos de cara com a cidade lá embaixo. Para mim, foi muito emocionante, era o primeiro local que eu sonhava em conhecer. E estávamos lá. Não contive as lágrimas, a Sara me abraçou e também chorou, estávamos muito felizes em estar lá.
Mas, lá um pequeno susto. Minha moto vinha apresentando dificuldade em ligar desde que saímos de Blumenau, eu achava que não era nada. Mas, quando fomos sair do mirante de Salta, dei a partida e o painel da moto piscou. Fiquei bastante apreensivo, porém, aliviado em estar numa cidade tão grande, lá seria menos difícil de encontrar uma bateria do que em Susques ou até mesmo San Pedro.
Fomos para o Hostal Yatasto, do nosso agora amigo Hector Penno. um Portenho, que já morou em São Paulo e que vive há 10 anos em Salta. Hector é casado com uma brasileira também. Seu hostel tem boa localização e boas acomodações. Sem contar que o Hector é aventureiro nato. Anda de 4x4, realiza e organiza expedições pela Argentina, etc. Nos sentimos em casa, fora de casa.
Ah, o Hector também faz câmbio! Tem lavanderia no hotel e ele dá todo suporte que se possa precisar.
Em Salta ficaríamos duas noites, era hora de dar uma ajeitada nas roupas, recuperar o corpo, afinal, foram 2 dias bastante difíceis, com altas quilometragens e muito calor. Mas o dia do Chaco, não foi um "Xaco", teve os menonitas, a lenda da chorona, os meninos, o semi Off-Road, enfim. Superamos o primeiro grande obstáculo da viagem. Estávamos muito felizes em estarmos em Salta.
Mas a viagem estava só começando, muito veríamos...




"Relato extraído do Blog - www.insetonocapacete.com"
« Última modificação: Maio 25, 2015, 10:26:55 am por Patrick »
Viaje Conosco em: www.insetonocapacete.com

Offline Kabeça

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 3.202
  • Sexo: Masculino
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #17 Online: Maio 18, 2015, 03:09:16 pm »
 :cheguei
Interestaduais: II-SJRP; III-Patos de Minas; VI-Cunha; V-Barra Bonita; VI-Itamonte; VII-Limeira; VIII-Vacaria (Moto quebrou); IX-Contagem; X-Curitiba; XI-Macaé; XII-Ribeirão Preto; XIII-Arujá; XIV-Urubici e em breve Floripa!!!
I Nacional: organizamos!

Offline jabahandebol

  • Ralando as pedaleiras
  • *****
  • Mensagens: 669
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #18 Online: Maio 19, 2015, 07:47:59 am »
Morei muito tempo em Santa Catarina, sempre no Oeste, Concórdia e principalmente Chapecó. Sempre fazia umas 5 viagens por ano entre Chapecó e Itaunas-ES, sempre numa Ténéré 91 das antigas. Estava me lembrando quando li o primeiro dia de relato, vcs rodando ai no Oeste. Show de viagem e relato melhor ainda. Parabéns.

Offline Patrick

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 3.014
  • Sexo: Masculino
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #19 Online: Maio 19, 2015, 10:25:02 am »
Eu vou muito ao oeste (inclusive estou em Chapecó agora) e gosto muito daqui. Pretendo fazer pequenas viagens a fim de conhecer melhor esta região. É muito bonita.


Enviado do meu iPhone usando Tapatalk
Viaje Conosco em: www.insetonocapacete.com

Offline fck

  • ADMINISTRADOR
  • Ironbutt do FOL
  • *****
  • Mensagens: 3.017
  • Sexo: Masculino
  • São Paulo - SP
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #20 Online: Maio 19, 2015, 01:27:50 pm »
Acabei de ler tudo, google maps ligado e viajando junto de verdade. Coisa boa.

Parabéns Patrick, muito  bom relato.. :thumleft:


Estou de olho, pretendo fazer essa em breve.

Offline Resmungão

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 10.565
  • Sexo: Masculino
  • FOL Curitiba
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #21 Online: Maio 20, 2015, 12:37:41 am »
 :cheguei   .clap .clap
Após 21 anos sem moto chegou a Falcon em 2008. E em 2013 mais uma: a Manny- Tiger800XC :). 2017 foi-se a Falcon e veio XREPepsi300 :/

Os que conheci do FOL: Jotta, Audy, Roveda333,  casal Pepi/Jana e SAAB. Que Deus os tenha, e nos proteja sempre.

Offline André Latau

  • Ralando as pedaleiras
  • *****
  • Mensagens: 842
  • Sexo: Masculino
  • Timbó - SC
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #22 Online: Maio 20, 2015, 02:01:03 am »
 .clap .clap .clap

Show de Bola o relato! Parabéns
A LIBERDADE NÃO SE DEVE MENDIGAR! MAS SIM, CONQUISTÁ-LA!!!

Offline Patrick

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 3.014
  • Sexo: Masculino
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #23 Online: Maio 20, 2015, 02:20:55 am »
Valeu galera, que bom que estão gostando. Hoje a noite posto mais um dia de viagem.


Enviado do meu iPhone usando Tapatalk
Viaje Conosco em: www.insetonocapacete.com

Offline Gomes

  • Enrolando o cabo
  • ****
  • Mensagens: 434
  • Sexo: Masculino
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #24 Online: Maio 20, 2015, 10:18:11 am »
 :cheguei

Offline Patrick

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 3.014
  • Sexo: Masculino
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #25 Online: Maio 20, 2015, 11:09:51 am »
Dia 04 - Salta - 0 Kms
Olá galera, no quarto dia da nossa viagem, não rodamos com as motos. Optamos por ficar em Salta, uma para aproveitar um pouco da cidade e outra para dar uma recuperada no corpo. Foram dois dias bastante intensos, então, todos precisavam deste pequeno repouso.
Salta é uma cidade muito bonita, tem mais de 700.000 habitantes, isso me espantou, não imaginava ter uma cidade tão grande no norte da Argentina.
Na manhã deste dia, a Sara e a Débora aproveitaram as comodidades do Hotel Yatasto para lavar as nossas roupas. Fui até uma mercearia na esquina da rua do hotel e comprei um sabão em pó líquido. Aproveitei para comprar folhas de Coca, já queria me prevenir do mal da montanha nos dias seguintes. Estava um dia bastante quente, propicio para secar nossas roupas. Sem contar nos equipamentos de andar de moto, que já estavam exalando alguns cheiros estranhos.

Folhas de Coca
Acordamos logo cedo e, eu estava preocupado com a bateria da minha moto que dava sinais de fadiga. Pesquisei na internet e encontrei o endereço da concessionária YAMAHA de Salta. Mesmo assim, queria uma segunda opção, falei com o Hector que me deu o endereço de outro mecânico de motos da cidade. Porém, eu queria ir logo as 08:00, mas, em Salta, o comércio só abre depois das 09:00. Fecha as 13:00 e reabre as 17:00, fechando por volta das 21:00. Estranho para nós estes horários diferentes do que estamos acostumados. Portanto, o negócio era esperar.
O Gilmar e o Alencar iam depois me encontrar na Yamaha, deixei o endereço da loja e parti antes deles. Eles estavam arrumando roupas, equipamentos, etc. Eu quis ganhar tempo no conserto da minha moto.
O trânsito de Salta, assim como a maioria das cidades grandes brasileiras, também é um caos. Lá ainda é aliado a motoristas um pouco mais inconsequentes, que não ligam seta, furam sinal vermelho, etc. A loja da Yamaha ficava a uns 5 quilômetros do hotel, e lá fui eu em busca da bateria nova.
No caminho, aconteceu uma coisa curiosa, estava parado num semáforo, e um carro parou do meu lado. Era um argentino querendo saber se eu era brasileiro, para onde estava indo. Conversei rapidamente com ele, e ele me perguntou se eu estava gostando de Salta e se estava sendo bem tratado na cidade dele. Falei para ele que era de Blumenau, uma cidade próxima à Balneário Camboriú, e ele logo abriu um sorrisão. Os argentinos adoram as praias catarinenses.
Essa rixa de brasileiros com argentinos não deveria existir. Eles recebem os brasileiros muito bem. Nós mesmo, não temos nada a reclamar do povo argentino. Em todos os lugares que fomos, as pessoas foram muito simpáticas e solícitas.
Mas voltemos ao meu problema elétrico. Cheguei na concessionária Yamaha, uma loja muito bonita por sinal, depois fui nos fundos onde havia a sessão de peças e oficina. Conversei com uma atendente e falei que precisava da bateria para a minha moto. Eu tinha o código da bateria original, passei a ela, porém, naquela Yamaha, não havia baterias da marca YUASA, não queria correr risco, então, queria a mesma bateria que equipa a moto de fábrica. Ela só tinha uma marca que nunca ouvi falar na minha vida. Se não me engano era MOTORBAT. Não quis arriscar. Perguntei à atendente se ela conhecia alguma loja que talvez teria a bateria. Ela me falou de uma loja que só vendia YUASA, pedi que ligasse para lá para ver se havia lá a bateria. Ela ligou e disseram que só conseguiam para o dia seguinte. Nós não tínhamos este tempo. A preocupação batia à porta. Saí da loja e disse a ela que voltaria mais tarde. Não comentei com ela, mas só voltaria se não encontrasse a bateria em outro lugar, daí o jeito era usar a marca que ela tinha mesmo.
Coloquei no GPS para ir até a loja que o Hector havia me indicado. Porém, uns 200 metros depois de sair da Yamaha, passei numa loja que se chama Destino 2 Rodas, e na calçada, havia uma Super Ténéré preta. Não parecia ser de cliente, pois estava em cima da calçada. resolvi parar e dar uma olhada na loja. Era uma loja bem bacana, vendia capacetes conceituados, acessórios, peças, etc. Falei com o balconista que ficou um pouco perdido, daí chamou o dono da moto que estava na calçada e proprietário da loja. Ele verificou no estoque e havia uma YUASA que aparentemente era igual à minha, porém, tinha 2 Ampéres a mais que a original da moto. Verificamos se era o mesmo tamanho, e era. Pronto, tinha resolvido meu problema. Perguntei o preço: $3.500 pesos argentinos. E também perguntei em dólar, ele me falou mas não me lembro quanto era. Eu devia ter pago em dólar, mas como estávamos no início da viagem, fiquei receoso de faltar dinheiro adiante, então paguei no cartão de crédito. A bateria saiu caro quando chegou a fatura do cartão. Mas tudo bem, melhor ter trocado num lugar que tinha estrutura pra resolver o meu problema, do que ficar sem bateria lá em San Pedro de Atacama ou em algum lugar que não haveria assistência.
Quando saio da loja, dou de cara com o Gilmar e o Alencar, eles foram na Yamaha, não me encontraram e estavam procurando um lugar pra lavar as motos. Levaram um susto quando me viram. E ao mesmo tempo ficaram aliviados, pois eles não tinham salvo o endereço do hotel e não sabiam como voltar, hahahaha. Encontramos uma lavação de acordo com o que o Gilmar e o Alencar estavam procurando e ficamos lá, esperando para lavar as motos. Nisso, conversamos com aqueles 3 brasileiros que estavam lá em Corrientes, vindo de São José do Rio Preto. Eles nos contaram que sairam de Corrientes depois das 10:00, pegaram 47º no Chaco e depois chuva. Aquela mesma chuva que conseguimos fugir dela no dia anterior. Nessas horas que o planejamento em sair cedo para pegar a estrada é fundamental. Nós saímos antes, pegamos máxima de 41º, esses 6 graus de diferença fazem toda a diferença no que diz respeito a desgaste físico. Os brasileiros estavam procurando pneus para as motos deles. E estavam assustados com os preços. As lojas lá, todas tem ANAKEE 2, pneu excelente e que parou de ser fabricado. No Brasil, é uma peça rara de ver sem lojas, lá tem em tudo quanto é loja, porém, o preço é absurdo. Um pneu traseiro medida 150, custa quase o equivalente a R$1.000,00, se para nós brasileiros já é caro, imagino para os argentinos.
Depois das motos limpas, voltamos para o Hotel, por aquele trânsito maluco de Salta, até entramos num corredor de ônibus sem querer, mas fomos alertados por um motociclista argentino e saímos rapidinho.
Fomos almoçar num restaurante muito legal próximo ao hotel, se chama "EL CHARRUA", um lugar com fachada histórica, seu interior cheio de peças de colecionador, como placas, garrafas, objetos, etc. Uma volta no tempo literalmente. O restaurante servia pratos requintados e saborosos. Eu comi um entrecorte delicioso. E os preços não eram absurdos, comemos bem e barato.



Restaurante El Charrua
De lá fomos explorar a cidade. Seguimos a pé pelas ruas da cidade, todas cheias de grandes prédios com suas fachadas antigas, mas bastante conservadas. São ruas estreitas com muitos prédios, e neles vários comércios, etc.
Fomos a pé até o Parque San Martin, de lá, pegamos o teleférico que leva até o Cerro San Bernardo. É um teleférico bastante extenso, que leva até um dos pontos mais altos de Salta. O teleférico é bastante grande, e seguro. Foi feito nos anos 60 se não em engano, e é de uma empresa suíça. Lá de cima, dá pra se ter uma ideia do tamanho da cidade. E o que é curioso, é que a região de Salta é montanhosa, porém, a cidade está encravada numa grande planície em meio a tantas montanhas. Não se vê nenhum morro entre a cidade, apenas envolvendo toda aquela imensidão urbana.
O Parque San Bernardo é muito bonito, tem cascatas artificiais, mirantes, lojas de artesanato e até mesmo aluguel de bicicleta se você quiser descer o cerro de bike.

 Teleférico Cerro San Bernardo

 Vista da cidade de Salta
















Voltamos ao parque San Martin e fomos passear numa feirinha que havia lá. Uma espécie de camelô, que vendia todo tipo de coisa. De DVD com música do Enrique Iglesias, a artesanatos em couro, cerâmica, cobre, etc. Lá já começamos as nossas compras. E também já compramos as balas de coca. Lá nesta feirinha, mais uma vez constatamos a receptividade dos argentinos conosco. Conversamos alegremente com um senhor, que estava ali para vender alguns produtos. Um legítimo caixeiro viajante. Era da cidade de Tucumán, conversamos bastante, damos risada, foi muito legal esse envolvimento com o povo local.
Estávamos voltando para o centro, em direção à catedral, quando, na frente de um hotel vimos uma moto brasileira. Fui conferir a placa da moto, era de Foz do Iguaçu, eram o Flávio e a Cris, que eu não via a muito tempo. Foi super legal encontrar os amigos, eles estavam retornando da viagem deles, passaram por vários lugares legais, alguns OFFs e estavam indo para suas casas. Esse mundo é mesmo uma aldeia, olha só, encontrar amigos lá na Argentina.

Flávio e Cris, encontro inusitado em Salta
Voltamos para o hotel pois o tempo ameaçava chover, e nossas roupas estavam estendidas ainda. Depois voltamos para conhecer a catedral basilica de Salta. Nossa, esse momento foi bastante emocionante. A catedral de Salta é simplesmente deslumbrante. Tem um altar com aproximadamente 5 metros de altura, todo em ouro, uma coisa incrível. Também tem um mausoléu com os restos mortais de vários mártires de guerra argentinos. Eu contei mais de 10 urnas expostas naquele local. Era hora de agradecer por estar ali. E pedir proteção para tudo que ainda estava por vir.




 Hora de agradecer e pedir proteção



Na saída da igreja, encontramos o Flávio e a Cris novamente, jantamos juntos no Hotel Salta. Na volta para o nosso hotel, fomos tomar um delicioso sorvete para refrescar.
Salta deixou um gosto de quero mais. O Hector me disse que o norte da Argentina é mais bonito que o Chile. Eu fiquei com muita vontade de voltar para aquela região. Falta explorar mais Salta, conhecer Cafayate, Tilcara, Maimará, Santo Antonio de Los Cobres, etc. Espero poder voltar em breve.
Era hora de nos despedir dos nossos amigos e ir pra cama, o dia seguinte seria a pré-cordilheira, fortes emoções estavam por vir.

"Relato Extraído do Blog - www.insetonocapacete.com"
« Última modificação: Maio 25, 2015, 10:27:54 am por Patrick »
Viaje Conosco em: www.insetonocapacete.com

Offline Resmungão

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 10.565
  • Sexo: Masculino
  • FOL Curitiba
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #26 Online: Maio 21, 2015, 04:23:26 am »
Bah, que coisa de coxinha  kkkkk; kkkkk; kkkkk;  Lavar a moto no 4° dia de viagem  :hãaaa :hãaaa :hãaaa

Viajando junto  :cheers:
Após 21 anos sem moto chegou a Falcon em 2008. E em 2013 mais uma: a Manny- Tiger800XC :). 2017 foi-se a Falcon e veio XREPepsi300 :/

Os que conheci do FOL: Jotta, Audy, Roveda333,  casal Pepi/Jana e SAAB. Que Deus os tenha, e nos proteja sempre.

Offline edwardfc

  • Ironbutt do FOL
  • ******
  • Mensagens: 1.295
  • Sexo: Masculino
  • ribeirao preto-sp
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #27 Online: Maio 21, 2015, 04:45:28 am »

 .clap .clap .clap .clap .clap .clap

 viajando junto.. :salut:
a nossa maior gloria nao reside no fato de nunca cairmos,mas sim em levantarmo-nos depois de cada queda .......

falcon  -2003                                                                     

transalp - 2011 - gorda

Offline fck

  • ADMINISTRADOR
  • Ironbutt do FOL
  • *****
  • Mensagens: 3.017
  • Sexo: Masculino
  • São Paulo - SP
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #28 Online: Maio 21, 2015, 05:01:28 am »
Pensei o mesmo Resmunga... :sacana kkk

Animei tanto com esse tópico que me dei conta que larguei o meu tópico da última viagem que fiz.. vou caçar as fotos e terminar ele.

Obrigado por compartilhar Patrick e servir de exemplo. Acredito mesmo que esse tipo de tópico é um dos pontos altos do FOL!!

Offline jabahandebol

  • Ralando as pedaleiras
  • *****
  • Mensagens: 669
Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #29 Online: Maio 21, 2015, 05:19:14 am »
Agora que já passou o dia descansando, vamos rodar.