Autor Tópico: Expedição La Mano - Argentina e Chile - Relatos  (Lida 26447 vezes)

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Offline Patrick

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Expedição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Online: Maio 15, 2015, 01:36:53 am »
Dia 01 - Blumenau x São Miguel do Oeste - 580kms
E aí pessoal, hoje finalmente vou iniciar a escrever os relatos da viagem mais completos. Prometo que vou tentar postar o máximo de informações possível, desde que a minha memória permita.
Chegava a hora da tão esperada partida. Depois de meses de planejamento, coleta de informações e viagens virtuais, chegava a nossa vez. Falando um pouco na primeira pessoa, eu sonhava com esta viagem a pelo menos uns 5 anos. Conversava com amigos que tinham ido, lia relatos, livros e por algumas vezes, ensaiei a minha ida. Infelizmente (ou felizmente), não tinha dado certo. Mas, nada acontece por acaso. Acredito que tudo aconteceu na hora certa e como deveria acontecer. Quando mais me aproximei da minha ida, sofri um acidente, minha moto teve perda total, felizmente eu não tive muitos ferimentos, logo logo, já estava andando de moto novamente. Mas, confesso que na época "tirei o pé" e resolvi esperar um pouco. Fizemos uma primeira viagem internacional para o Uruguai eu e a minha esposa (futura), bom, vocês vão ver no decorrer dos relatos, vou explicar melhor...
Esta primeira viagem, que está publicada neste blog, foi fundamental para o nosso aprendizado. Viajamos por um país muito tranquilo e acolhedor, foram 10 dias incríveis pelo Uruguai, recomendo a quem quiser, é uma viagem bastante boa para se ter um primeiro contato com outro idioma, aduanas, etc.
Depois dessa viagem, estava decidido, era hora de ir pro Atacama, não tinha mais o que esperar, era pegar a moto e ir. Voltamos do Uruguai em março, e começamos a planejar a viagem, a princípio, uma viagem solo nossa. Porém, no decorrer do tempo os amigos Alencar, Gilmar e Débora toparam ir juntos.
Foram meses de reuniões, planejamento, busca por hotéis, informações sobre estradas e aduanas. Pontos turísticos, o que fazer e o que não fazer, etc. Toda esta preparação fez a diferença com certeza, recomendo a quem quiser fazer uma viagem destas, o planejamento é essencial, otimiza seu tempo e também te previne de alguns possíveis problemas que possam ter pelo caminho. Como por exemplo, a passagem da ponte de Corrientes-AR, ou melhor, a avenida que liga à ponte, onde não se pode trafegar pela pista principal de moto. E por aí vai, mais a frente vocês verão.
Mas voltemos ao tema inicial: A partida!
Era dia 31 de janeiro, porém, a movimentação começara já no dia 30. O Alencar que mora em Anitápolis, saiu de lá e veio ao nosso encontro em Blumenau. Ele chegou em Blumenau no meio da tarde, já encarou um pouco de chuva, porém, nada preocupante. Na sexta a noite deixei tudo pronto, encaixei os baús na moto, revisei os equipamentos, coloquei pilhas no SPOT, no GPS, câmeras prontas, etc. Tinha um pouco de receio de esquecer alguma coisa. Sem contar nos documentos e no dinheiro, isso sim poderia ser um grande problema durante a viagem. Porém, tudo certo.
Era hora de ir dar um abraço nas nossas mães. Esta parte foi um pouco difícil, foram beijos e abraços já apertados de saudades, apreensão, etc. Aquela história de amor de mãe sabe? Engolimos o choro e fomos embora. Um momento bastante complicado, nesta hora a minha cabeça fervia, pensava mil coisas. Queria dizer para minha mãe que quando voltarmos faríamos alguma coisa juntos, mas daí me perguntava se realmente tudo daria certo, enfim. Minha cabeça estava muito atordoada, estava preocupado, mas tinha que isolar estes pensamentos, isso poderia atrapalhar o desenvolvimento da viagem. Enfim, assunto encerrado.
Pedimos uma pizza na nossa casa e o Gilmar e a Débora vieram comer conosco, tomamos uma cerveja para relaxar, senão ninguém dormia naquela noite.
Também não posso deixar de falar sobre o carinho dos amigos, muitos mandaram mensagens pelo facebook, wats, etc, desejando sucesso na nossa viagem. Agradeço a todos pela torcida e apoio durante toda a viagem.
Amanheceu o dia 31, nem precisou o relógio tocar e todos estávamos acordados. Na nossa casa, tínhamos acabado com estoque de comidas, então fomos com o Alencar tomar um café no posto aqui perto de casa. Lá, o nosso amigo Flávio Carneiro, da cidade de Brusque nos esperava. Ele veio especialmente para a nossa partida.
O dia estava um pouco cinza, mas nada muito diferente do que os demais dias aqui em Blumenau. A temperatura estava amena, mas prometia um dia bastante quente. Nos reunimos na frente do prédio, tiramos algumas fotos e era a hora da partida.
Saímos pontualmente as 08:00 da manhã, com destino à São Miguel do Oeste, onde era o planejado de dormirmos. Na saída, eu ia pensando no que nos aguardava nos próximos dias, o quanto esperei para este dia chegar, o que aconteceria, enfim. Andar de moto é um pouco solitário as vezes. Você está ali "sozinho" dentro do capacete, pensa em mil coisas, e a únicas respostas que ouve, são as que você mesmo se dá.

 A partida


Reunidos para o início da viagem


Já no início, o Alencar me alertou que o pneu da minha moto estava deformando demais. A calibragem não estava boa. Paramos num posto e recalibramos. Pegamos a BR-470, e esta rodovia inspira muitos cuidados, é um trecho bastante crítico, com muito movimento de caminhões e carros ao longo do trecho entre as cidades de Blumenau e Pouso Redondo. E, na minha opinião, o maior vilão deste trecho é a imprudência dos seus usuários, são várias ultrapassagens em locais proibidos, forçadas, etc. Porém, não há muita escolha, é a principal ligação do Vale do Itajaí com o Oeste do estado.
Em Ascurra, ficamos parados numa grande fila. Não sabíamos se era uma obra ou algum acidente. Esperamos sem tirar capacetes, pois pensávamos que seria mais rápido. Porém, o tempo foi passando e nada de andar. Depois de uns 25 minutos parados, começara a andar. O motivo, um acidente entre duas caminhonetes. Não deu pra saber se tinha feridos, mas as duas caminhonetes estavam bastante estragadas e tudo indicava que tinham batido de frente.
Continuamos em frente, apesar do movimento tudo seguia bem. A nossa primeira parada foi na cidade de Pouso Redondo, no Posto Mime, aproximadamente uns 170 kms rodados até a primeira parada. Ali já estávamos chegando na região serrana de SC. Depois de um abastecimento, ida no banheiro, etc, voltamos para a estrada. O planejamento era tocar até a cidade de Erval Velho, para almoçar no restaurante do Gringo.
Pegamos a estrada e depois de subirmos a Serra da Santa e entrarmos no Vale do Contestado, a temperatura mudou bruscamente. Pegamos uns 10° mais ou menos, mas seguimos em frente. Ali o movimento era menos intenso, apenas caminhões com contêineres, e tínhamos facilidade em ultrapassar, devidos aos trechos bastante amplos e sem movimento contrário. Passamos o entrocamento da BR-470 com a BR-116, seguimos por Curitibanos e em seguida para Campos Novos, onde mudamos da BR-470 para a BR-282 que nos levaria até a divisa com a Argentina. De Campos Novos até Erval Velho são uns 30 kms, e a hora do almoço se aproximava.
O Restaurante do Gringo, que fica às margens da BR-282 é parada obrigatória para quem vai pro oeste de Santa Catarina. Comida caseira e farta. Com carnes assadas e tudo mais. E, claro, o Gringo, que é um caso a parte. O Gringo fica no buffet servindo lasanhas e massas para os clientes, e também fica de olho no abastecimento do buffet. Quando alguma coisa está acabando ele pega um microfone e pede pra cozinha abastecer o que é necessário. Lá na cozinha, um sistema de auto falantes se encarrega de alertar as cozinheiras do que está precisando no buffet. Um tanto quanto prático não?
Depois daquele belo almoço, hora de pegar a estrada. Porém, um problema: chuva. O Gilmar não queria vestir a capa de chuva, e nem os demais. Porém, eu não queria já ficar com aquele cheiro de cachorro molhado já no primeiro dia da viagem. Então, decidimos vestir os equipamentos. Não tinha cara de que estava chovendo muito, mas optamos por não arriscar. Vestimos aquela parafernália toda e saímos. Rodamos uns 5 kms, e a chuva parou. Que raiva. Pensei em andarmos até a próxima parada para daí tirarmos a roupa, porém, o calor era tanto, que paramos na beira da estrada e foi uma alegria só.
Havia um local na BR-282 que sempre que eu passava lá, tinha vontade de parar. É um restaurante que do lado, tem uma grande torre, com aproximadamente uns 30 a 40 metros de altura. Lá em cima, um mirante com vista para um grande vale. Uma vez conversando com pessoas da região, descobri que fizeram aquele mirante para avistar a região onde está localizado o município de Vargeão. Eu explico, diz a lenda que aquele local foi alvo de uma chuva de meteoros, e deste mirante daria para ver a grande cratera que se formou. Paga-se uma taxa de R$2,00 para subir no mirante, é um pouco assustador, pois a estrutura de ferro balança com o vento, porém, a vista é muito bonita.

 Esticar as pernas é preciso

Vista do mirante de Vargeão


Depois dessa parada continuamos em direção ao extremo oeste catarinense. Passando Xanxerê, Xaxim e Chapecó, paramos em Nova Erechim para um abastecimento bastante caro, em torno de R$3,40 o litro de gasolina. Estava muito quente e já nos aproximávamos do nosso destino.
A estrada piorou bastante neste trecho, com muitas ondulações, requereu bastante cuidado nosso, afim de evitar qualquer tipo de problema. Finalmente chegamos em São Miguel, onde paramos no Posto do Mauro, conforme tínhamos combinado, sempre abasteceríamos na chegada a algum destino, para na manhã seguinte não termos que procurar postos.
Liguei para o Alemão, nosso contato do Motoclube Cães do Asfalto,que gentilmente cederam a sua sede para nossa hospedagem. O Alemão veio rapidamente nos encontrar e nos levou para a sede dos Cães. Sem palavras para aquela acolhida, a sede dos Cães é muito bem montada, com alojamento para até 6 pessoas, confortavelmente montada com televisão, banheiro e um maravilhoso ar condicionado.
Lá na Sede conhecemos o Robert e a Nina, um casal muito simpático e também aventureiro das duas rodas. Eles também estavam na contagem regressiva para a Expedição Caracoles. Depois, o Robert voltou à sede, com uma nova e inusitada garupa, a sua cachorrinha Jullyta. A Jullyta sobe sozinha na moto e adora uma voltinha em duas rodas. Muito querida. Um membro da família de respeito!

Nossos novos amigos de São Miguel

Jullyta, a cadela motociclista

O Alemão nos levou até a sua loja de motos. Ele tem uma bela coleção de motos clássicas restauradas. São Cgs, DT´s, etc, todas em ótimo estado. Ele está vendendo algumas delas, quem comprar não vai se arrepender, as motos estão impecáveis.
A noite, chegou nosso amigo e grande ajudante do planejamento, o Diego Petry Melz, ele estava em São Lourenço do Oeste fazendo uns ajustes em seus baús para a sua aventura. Diego levou a sua mãe na garupa e sua viagem foi um sucesso. Acompanhei pelo facebook. Parabéns Diego pela aventura e pela sua mãe, sua fiel garupa. Foi incrível.

Jantar com o amigo Diego
O Diego queria apenas nos dar um abraço e seguir para casa dos seus pais, porém, foi vencido por nós e acabou ficando na sede conosco. Saímos para jantar na cidade e logo voltamos para dormir. O dia seguinte seria cheio.

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« Última modificação: Junho 01, 2015, 01:00:47 am por Patrick »


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Offline Resmungão

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #1 Online: Maio 15, 2015, 02:07:27 am »
 .clap .clap .clap
Relato detalhista; do tipo que gosto. Viajamos juntos  :cheers:
Após 21 anos sem moto chegou a Falcon em 2008. E em 2013 mais uma: a Manny- Tiger800XC :). 2017 foi-se a Falcon e veio XREPepsi300 :/

Os que conheci do FOL: Jotta, Audy, Roveda333,  casal Pepi/Jana e SAAB. Que Deus os tenha, e nos proteja sempre.

Offline Patrick

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #2 Online: Maio 15, 2015, 02:24:18 am »
Vamo que vamo Resmungão, acho que vais gostar... Tem muita informação...

Abraço
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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #3 Online: Maio 15, 2015, 02:49:50 am »
Boa, vamos juntos
Por enquanto 2 rodas só na bike...

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Offline mmpanela

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #4 Online: Maio 15, 2015, 03:04:48 am »
boa Patrick!!! acompanhando a moda antiga...
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Offline Polenta

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #5 Online: Maio 15, 2015, 11:06:21 pm »
PARABENS mais um montão de vezes Patrick nossa próxima Trip será mais ou menos essa!!



"A Vida é muito curta, Portanto curta muito a vida.." Im memorian Maurício Saab
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Offline Patrick

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #6 Online: Maio 15, 2015, 11:22:18 pm »
Valeu polenta e panela!! Obrigado mesmo! Olha, vale a pena cada km, estou com saudades da trip já.


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Offline Kabeça

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #7 Online: Maio 16, 2015, 03:36:00 am »
 :cheguei

Acompanhando e gostando... ,10468
Interestaduais: II-SJRP; III-Patos de Minas; VI-Cunha; V-Barra Bonita; VI-Itamonte; VII-Limeira; VIII-Vacaria (Moto quebrou); IX-Contagem; X-Curitiba; XI-Macaé; XII-Ribeirão Preto; XIII-Arujá; XIV-Urubici e em breve Floripa!!!
I Nacional: organizamos!

Offline jabahandebol

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #8 Online: Maio 16, 2015, 10:09:40 am »
Show, parabéns, quando leio relatos começo a viajar junto. Aguardando próximos capítulos. Abraço.

Offline Patrick

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #9 Online: Maio 17, 2015, 08:35:38 am »
Que bom que estão gostando. Aí vai mais um relato:

Dia 02 - São Miguel do Oeste x Corrientes-AR - 708 Kms
Domingo, dia 01 de fevereiro, 06:00 da manhã e já estávamos todos em pé, preparando as motos para pegarmos a estrada e cruzarmos a primeira fronteira da nossa viagem. O dia amanheceu relativamente agradável, clima típico do nosso oeste, confesso que para mim estava até frio, mas estava bom. Como estávamos na sede dos Cães do Asfalto, não tínhamos café da manhã All Inclusive. mas também, era pedir demais dos amigos que gentilmente cederam o espaço para ficarmos gratuitamente. E ainda por cima com todo o conforto de um hotel. Ar condicionado, um bom banheiro, toalhas, etc. Agradeço imensamente ao Alemão, Robert, Molin e a todos os demais integrantes pela recepção e atenção conosco, saibam que todos vocês têm casa quando vierem a Blumenau. Será um prazer retribuirmos a recepção em São Miguel.


Sede do Motoclube Cães do Asfalto
Mas vamos lá, tínhamos um roteiro a seguir, o dia seria longo. O Diego, nosso amigo, ficou lá na sede conosco, e de lá ia para a casa dos seus pais. Antes, fomos levar a chave da sede na casa do Alemão. Partimos sem café da manhã pois não encontramos nada aberto. Lá de São Miguel do Oeste, continuamos pela BR-282, que para minha surpresa, não acaba em São Miguel do Oeste. Normalmente, quem opta por entrar na Argentina por Santa Catarina, vai por Dionísio Cerqueira, uma fronteira bem conhecida e utilizada, até mesmo pra quem vai para Foz do Iguaçu, dizem ser melhor ir pela Argentina do que pelo Brasil. Mas, como nosso amigo Diego nos sugeriu, e ainda por cima, foi lá conferir de perto antes de mandar alguém, a fronteira da cidade de Paraiso, no Brasil, está funcionando. Também conhecida como Peperi-Guaçu.
IMPORTANTE: Se optar por fazer imigração nesta fronteira, é importante ir com a carta verde feita e com algum dinheiro já feito cambio. A carta verde é obrigatória e não deixarão passar se você não tiver.
De São Miguel do Oeste, até a aduana, são aproximadamente 30 Kms, a estrada está muito boa, totalmente sinalizada e com asfalto excelente. Sem contar que, se tivéssemos ido por Dionísio, rodaríamos 120 kms a mais. IMPORTANTE: Se você colocar a rota pelo Google Maps, ele não vai calcular por este caminho que fizemos, pois ele ainda consta como de terra. Inclusive no meu mapa impresso está de terra. No BING MAPS, até dá pra fazer a rota por lá, mas também indica estrada de terra. Porém, podem ir sem medo, está tudo asfaltado.
Mas voltemos a imigração. Chegamos na aduana antes das 08:00. É um lugar bastante deserto. Tinha apenas um policial e um agente de imigração. Ah, e alguns cachorros também. Chegamos as 08:00 pelo horário brasileiro de verão, porém, na Argentina ele não é válido. Estávamos então, novamente as 07:00.


Fizemos a imigração num processo bastante rápido e seguimos viagem. A estrada é novinha. Toda asfaltada e sinalizada. Esta estrada passa no meio de uma reserva ambiental, com animais silvestres, etc. Pelo caminho, vimos algumas "passarelas", feitas para animais cruzarem a rodovia em segurança. Estávamos andando pela Ruta 20. Naquele trecho, a minha moto ameaçou se desintegrar. Primeiro caiu um parafuso do protetor de mão. Acredito que por causa da vibração da moto. Paramos no acostamento e o Alencar fez uma gambiarra com uma "língua de sogra".


Chegamos na primeira cidade Argentina, San Pedro. Paramos num posto Esso à beira da estrada. Estávamos todos com fome, ainda não tínhamos comido nada, a não ser castanhas que levamos. Mas a conveniência do Posto era de dar dó. Não tinha nem um mísero café. Optamos por tentar entrar na cidade e procurar alguma coisa. Ledo engano, a cidade é pequena e estava tudo fechado. Perguntamos a um local, e ele nos disse que seria difícil encontrar alguma coisa. Daí vimos a rodoviária e tentamos lá. Também não achamos nada. Resultado: Castanhas e gel de hidratação foi o que nos restou.
Estávamos rodando na Ruta 14. E assim foi até o próximo abastecimento, na cidade de San Vicente. Lá paramos num grande Posto Shell. Grande pois, tinha até um mini posto apenas para atender moto, me senti muito VIP.

Posto para atender apenas motos
Finalmente conseguimos comer alguma coisa, neste posto tinha uma boa conveniência, onde pudemos comer "Media Luna" e tomar um café. Tinha também mini pizza, aquecida no microondas, uma delícia. Já estava na hora de comermos alguma coisa.
Na cidade de Leandro N. Alem (Não adianta me perguntar o que significa o N, porque não vi nenhuma placa com a descrição completa da cidade), lá bateu uma dúvida, pois daria para seguir reto ou virar a direita. Paramos num posto e perguntamos. Era para seguir reto. Antes disso, eu já tinha errado numa outra entrada. Passamos por um comando da policia Caminera, voltamos e, para não passar novamente na frente deles, parei no posto ao lado. Pedi informações e saímos pela lateral para a rodovia que tínhamos que pegar. Eles ficaram olhando, pensei até que viriam atrás, mas felizmente nada aconteceu. Tínhamos muito receio da policia caminera, muita gente nos falou de pedidos de propina pelo caminho. Até agora, tudo certo. Mas era apenas o primeiro dia na Argentina.
Voltamos para a Ruta 14, só que antes de chegarmos na cidade Gobernador Engeniero V. Viraso, teríamos que virar a direita. Eu não sei por que motivo, mas não me dei conta disso e segui reto. Quando estávamos na cidade de San Jose, me dei conta que estávamos errados. Paramos num posto e fomos consultar o mapa impresso (imprescindível), eu fiquei um pouco chateado por termos rodado a mais. Mas, como tudo tem um lado bom, a Débora me lembrou que se não entrássemos naquela cidade, não encontraríamos um lugar para abastecer e comer novamente (já era mais de meio dia). Aproveitamos para um lanche e, claro, hidratação. Fazia muito calor, as retas eram longas e o sol castigava.
Voltamos um 10 kms e viramos a esquerda como deveríamos ter feito antes. Mas enfim, estávamos de estômago cheio e com água para hidratação. A estrada era muito boa, era a Ruta 120, grandes fazendas ao longo da rodovia, com retas enormes, porém, sem acostamento.
A vantagem de fazermos este caminho, é que não passamos por Posadas, uma cidade grande, e que, na minha opinião, podendo fugir dos grandes centros, é sempre bom. Estamos com motos pesadas e largas, andar pelo trânsito de grandes cidades é sempre uma aventura. Agradeço ao Diego pela dica, valeu muito.
Depois da Ruta 120, viramos a direita na Ruta 12. Ela nos levaria até o nosso destino daquele dia. A cidade de Corrientes. Já na entrada da cidade, uma coisa me chamou a atenção. Um pequeno bosque à beira da estrada, uma placa sinalizando que ali era um camping. E, várias pessoas sentadas à sombra, tomando mate e conversando. Este tipo de local seria comum no decorrer dos dias que ficamos na Argentina. O argentino viaja muito, e era época de férias escolares lá. Foi bastante comum ver o povo sentado às margens da rodovia descansando ou fazendo um pic nic durante a viagem.
Nesta rodovia, passamos às margens do Rio Paraná, bastante grande, imponente, e emanando uma umidade gigante. Pensa num lugar quente. Era uma prévia do que nos aguardava no dia seguinte.
Durante este percurso, fomos ultrapassados por um grande grupo de motociclistas brasileiros. Acredito que eram umas 7 motos. Na entrada da cidade de Ita Ibate, o grupo estava parado na sombra, junto com mais dois carros. Nos cruzaríamos várias vezes durante a viagem. Em Ita, não tem posto na beira da estrada, então entramos na cidade e uns 3 kms para frente encontramos um posto. A entrada da cidade é bem bonita, com árvores ao longo da rua.







Voltamos para o calor infernal e para as grandes retas. E praticamente às margens do Rio Paraná. O calor continuava castigando.
Felizmente já nos aproximávamos de Corrientes. Chegamos na cidade e já de cara entramos na famosa avenida que dá acesso à ponte para Resistencia. Eu explico: Muitos motociclistas relatam que a policia caminera fica de tocaia nesta avenida, chamada de Avenida Independencia, que depois muda de nome. Nesta avenida, segundo a policia, não é permitido o tráfego de motos na pista central, apenas na marginal, ou, como eles chamam, avenida coletora. Quando o motociclista chega na cabeceira da ponte, eles param e começa a ladainha. Dizem que vão multar em 1.000 pesos argentinos, etc, etc. Depois, acertam um valor "por fora" para liberar os motociclistas.
Não iríamos passar a ponte naquele dia, mas fiquei atento, assim que acessamos a avenida, já peguei a avenida coletora à direita. Andamos alguns quarteirões e vi uma viatura da policia, digamos, meio escondida. Eu acredito que aquele lá, é o delator. Passa um rádio pros parceiros da ponte e daí a confusão começa.
Paramos num posto para abastecer antes de irmos para o hotel. Conversei com os frentistas que confirmaram a prática e falaram para andarmos pela via coletora. Mas eu tinha um mapa e uma tática para usar no dia seguinte.
Fomos para o hotel que já estava reservado, bem na frente da praça Plaza Cabral. Com uma bela igreja. Estava muito, mas muito quente, acredito que uns 35° com sensação térmica de 50º.
O hotel era meio "Old School", o elevador tinha aquela grade para abrir e fechar. Pensa na cena.
Aquele grupo do Paraná, chegou logo em seguida e ficaram no mesmo hotel que nós. Neste mesmo hotel estavam mais 3 brasileiros. Um deles se chama Rogério Benvindo, temos um amigo em comum, e quando ele viu o adesivo do meu blog, já perguntou para o Alencar de mim. Foi engraçado, ser procurado na Argentina, o mundo é mesmo uma aldeia. Naquele dia não falei com ele. Somente em Salta nos conhecemos pessoalmente.
Saimos para jantar e cama. O próximo dia seria a primeira provação. A Pampa Del Infierno, a ponte de Corrientes, as borboletas assassinas, o calor, etc...


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« Última modificação: Maio 25, 2015, 10:25:22 am por Patrick »
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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #10 Online: Maio 17, 2015, 09:28:57 am »
Boa, continua assim

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Offline edson cunha

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #11 Online: Maio 17, 2015, 09:32:33 am »
Ótimo relato, e uma bela viagem, qualquer hora dessas chega a minha vez de realizar uma viagem parecida.
  Parabéns        .clap    .clap    .clap
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Offline jabahandebol

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #12 Online: Maio 17, 2015, 09:52:27 am »
Valeu Amigo. Vamos ver como se saíram da pegadinha da ponte.

Offline Patrick

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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #13 Online: Maio 17, 2015, 09:53:09 am »
Aguarde e confie. Amanhã eu conto.


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Re:Exepdição La Mano - Argentina e Chile - Relatos
« Resposta #14 Online: Maio 18, 2015, 07:33:38 am »
Por acaso o hotel com a porta do elevador com aquela grade de abrir e fechar seria o Hotel San Martin? Se era, também ficamos lá em março/15, onde encontramos um grupo de Minas Gerais.
Pelo jeito todos os brasileiros ficam neste hotel.... kkkkk;
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